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Recomeço

O São Paulo dispensou Muricy Ramalho por medo de estraçalhar-se, e no limite de crise incontornável. Havia grande identificação entre clube e técnico, por importantes conquistas recíprocas, e isso dificultou a ruptura da parceria. Mas era necessária, para o bem de ambos. Um e outro não mereciam desgaste, que se acumulava.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2015 | 02h03

O time desandou, por inúmeras razões - técnicas, táticas, atléticas, pessoais. Até o comportamento da diretoria influiu na falta de rumo. Na teoria, o planejamento se mostrou impecável, ao levar em conta etapas a superar, no primeiro semestre, tanto no Paulista quanto na Libertadores. A prática fez ruir projeções otimistas e ergueu sombras.

Alguém pode alegar que a equipe não vive período catastrófico e que o discurso parece coisa de corneteiro e oposição. Epa! Verdade. No Estadual, a classificação para as quartas de final está pra lá de garantida e na competição continental o São Paulo depende da própria força para seguir adiante. Se ganhar de Danubio e de Corinthians, de preferência por boa diferença, estará nas oitavas e se livra dos fantasmas San Lorenzo e eliminação precoce.

Cenário possível e ideal. O porém, e como sempre existe uma ressalva, fica para o comportamento do grupo. O elenco são-paulino não é ruim, tampouco a maravilha que a cartolagem tenta vender para o consumo externo. Há vários jogadores de qualidade - por isso mesmo deveria apresentar regularidade. E não é o que tem ocorrido.

O São Paulo não emplaca duas boas partidas em seguida. Pra ser mais exato, não teve nenhum momento marcante em 2015. Talvez o duelo com o Danubio, no Morumbi, possa ser usado como indício de que há espaço para crescimento. Fora isso, abusa da paciência do torcedor com desempenho que vai do aceitável para o ruim. Daí, a desconfiança em torno da capacidade de se firmar como candidato a títulos. Conquistas, vale lembrar, escasseiam; desde 2009, só uma taça - a Sul-Americana de 2012. Pouco, muito pouco.

O panorama pouco entusiasmante desembocou na retirada de Muricy, que murchou nos últimos meses e andou longe da vibração habitual. A diretoria saiu em busca de substituto e, em vez de conversa pés no chão, veio com história de que está de olho no mercado internacional. Melhor dar uma pesquisada por aqui mesmo, como fez com Abel Braga, em princípio sem interesse de assumir essa bucha de canhão.

O interino de sempre Milton Cruz segura a onda, pra variar, até a chegada do novo professor. Mas, para não mostrar passividade, mexeu na formação para enfrentar a Lusa nesta quarta-feira. O setor mais atingido foi o meio-campo, com chance para Rodrigo Caio, Hudson, Thiago Mendes e Jonathan Cafu e descanso para Souza, Denilson, Michel Bastos e Ganso. No gol, repouso para Rogério Ceni e oportunidade para o estreante Renan Ribeiro.

Vá lá que a intenção é preservar titulares para a Libertadores e para a fase de mata-mata do Paulista. A medida pode ser interpretada como recado para alguns de que não são intocáveis como imaginam.

Seja qual for a intenção, o São Paulo precisa reagir, ressurgir, dissipar interrogações. E sobretudo dar um chacoalhão nos atletas; tem gente que fica a contemplar a paisagem como se o jogo não fosse com ele. Já sobrou para o treinador; mais adiante, pode atingir também figurões, a depender de quem tiver o comando.

Mago... O Palmeiras vai de mistão diante do Ituano e terá Valdivia como atração desde o começo. O meia chileno não contará com a companhia dos jogadores mais escalados por Oswaldo de Oliveira, o que exigirá empenho redobrado do 10.

Um teste para avaliar a condição de Valdivia, que jogou alguns minutos no sábado, contra o Mogi, fez alguma firula e saiu a falar grosso a respeito da renovação de contrato. Será inteligente, se mostrar serviço e regularidade, antes de agir como prima-dona, destaque que corre o risco de perder no elenco atual.

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