Recomeço

Eu preferia estar falando, a esta altura, da reta final da preparação da seleção brasileira para a Copa das Confederações. Infelizmente, como a era Mano Menezes chegou ao fim sem gerar os frutos que esperávamos, aqui estou eu, tendo que escrever sobre o recomeço de um projeto, agora sob o comando da dupla Felipão e Parreira. Trata-se de um recomeço da estaca zero? Não. Jovens talentos como Neymar, Oscar e Lucas, lançados por Mano, são hoje unanimidades da lista de selecionáveis. Mas, mesmo com tudo isso, estamos diante de um recomeço - o que, sim, complica o sonho do hexa.

MARCOS CAETANO, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2013 | 02h05

Eu preciso confessar a minha total esquizofrenia ao acompanhar a atuação do Brasil diante da Inglaterra. Em alguns momentos eu esbravejava diante da tevê: "Esse time não vai ganhar a Copa nunca! Se pegarmos a Espanha, a gente leva um baile. Mesmo a Argentina é capaz de nos atropelar!".

De repente, o time começava a marcar a saída de bola adversária, passes eram trocados em velocidade e o meu lado otimista ressurgia: "Agora vai! Com a molecada em campo o Brasil será como a Alemanha em 2010 - só que sem amarelar na semifinal". E foi assim durante os 90 minutos.

Quando Fred entrou e, em três minutos fez um gol e mandou uma bomba na trave, cheguei até a sonhar com uma "vitória maiúscula", como costumava dizer o grande Alexandre Santos, da Band.

O jogo, de fato, foi assim. A seleção chegava a encantar quando Lucas encostava mais no ataque e, sobretudo, quando Oscar, mostrando personalidade, chamava para si o papel de maestro do time, coisa que Ronaldinho Gaúcho tentou sem sucesso na primeira etapa. O saldo do encontro não foi negativo.

Em primeiro lugar, precisamos comemorar o fato de termos jogado contra um adversário de primeiro nível e em um grande palco. Eu estava com calos nos olhos de tanto ver jogos do Brasil contra rivais de terceira linha e em países exóticos.

Na Copa das Confederações, fora uma ou duas seleções de menor tradição, só enfrentaremos pedreiras. Na Copa do Mundo, pior ainda. Então eu só posso achar acertada - e corajosa - a decisão da nova comissão técnica.

Outras observações oportunas: Luis Fabiano parece desgastado e está longe de seus tempos de atacante matador. Pela fase, pela frieza dentro da área, pela qualidade técnica e até pela capacidade de liderança (e estrela), o momento é de Fred. No meio, Lucas e Oscar, que estão apenas começando a brilhar em clubes de ponta da Europa, devem ser as nossas apostas de criação. Eles só vão melhorar até 2014.

Ronaldinho Gaúcho é hoje apenas uma opção: só deve entrar se estiver voando no Galo e, ainda assim, se conseguir render para a seleção. Apesar de gostar de muitos volantes, o Brasil joga melhor quando tem mais criativos do que ladrões de bola. Dois volantes é o máximo, Felipão, pelo amor de Deus!

Por último, Neymar, que precisa perder a timidez diante de adversários de ponta. Felipão é ótimo psicólogo e pode ajudá-lo com isso. Eu não consigo recordar uma grande atuação do menino da Vila diante de uma grande seleção. E se quisermos ganhar o Mundial isso terá que mudar.

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