Recomeço ou fim para o Palmeiras

Clássico diante do arquirrival Corinthians, hoje, no Pacaembu, deve definir o destino do Alviverde na temporada após a demissão de Luiz Felipe Scolari

DANIEL BATISTA , VÍTOR MARQUES, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2012 | 03h03

Nem o palmeirense mais pessimista imaginaria que num curto espaço de tempo - foram apenas dois meses - seu time perderia a glória da conquista da Copa do Brasil e estaria imerso num cenário caótico e dramático, sem Felipão, e vivendo uma ameaça real no Brasileiro: o rebaixamento.

Pois é nesse cenário de incertezas que o Palmeiras enfrenta o Corinthians, às 16h, no Pacaembu. Rival que há dois meses conheceu o céu: a Libertadores.

"Existe uma nuvem negra no Palmeiras", disse seu presidente Arnaldo Tirone, em entrevista ao Estado, antes da derrota para o Vasco que decepou a cabeça de Felipão. Tirone, então, colocou toda a responsabilidade em cima dos jogadores: "O grupo entendeu que só depende deles".

Hoje depende ainda mais. Ou espera-se que em um único treino Narciso, o interino, conserte problemas crônicos na equipe, especialmente os defensivos? O que Tirone quer (e torce) é que jogadores como Valdivia, agora ainda mais a estrela solitária do time, e Barcos chamem a responsabilidade para si e vençam o rival, um total franco-atirador.

"Infelizmente, as coisas estão dando errado, mas acho que chegou o momento de jogar bem. Essa situação não é boa para ninguém", disse Barcos.

A situação realmente é critica. O Palmeiras vem de duas derrotas consecutivas, soma apenas 20 pontos e é o penúltimo colocado. Está a sete pontos do primeiro time fora da zona de rebaixamento, o Flamengo. E, pelas contas mais trágicas, teria de conquistar oito vitórias nas 14 rodadas finais para não ser (de novo) rebaixado à Série B.

"Precisamos entrar em campo como se fosse o jogo de nossas vidas", disse Tiago Real, que chegou ao clube no olho do furacão.

Do outro lado, tudo bem. O Corinthians não engrenou depois da conquista da Libertadores, mas vem num perde e ganha que lhe mantém numa zona confortável no campeonato e se dá ao luxo de pensar no Mundial.

Fundo do poço. Para hoje, o grande adversário de Tite é o clima que se criou dentro do clube: muitos querem vencer o Palmeiras para complicar a vida do rival, empurrando-o para o fundo do poço. "Isso é um espírito pobre. Que venha aquela brincadeira do torcedor, é até compreensível. Eu não fico contente com o mal dos outros", disse Tite.

Quis o destino que o jogo de hoje seja disputado num Pacaembu verde e branco, com corintianos sendo apenas 2 mil visitantes de um total de 37 mil ingressos à venda. Esse fator pode ajudar, e muito, o Palmeiras nesse recomeço. Porque um clássico é um divisor de águas e uma vitória hoje certamente dará ânimo novo aos jogadores e ao técnico, mesmo porque Narciso pode até ser efetivado (leia abaixo).

"Não podemos mudar as coisas do dia para noite. O time ainda terá muito a cara do Felipão", afirmou Narciso. No único treino que comandou, ele cobrou muito o apoio dos laterais e deu atenção à cobertura, numa tentativa de não ser surpreendido pelos contra-ataques.

O Palmeiras terá um trunfo e tanto a seu favor. O Corinthians estará desfalcado no lado direito de sua defesa. Alessandro, suspenso, e Chicão, que passou por cirurgia, estão fora. Tite escalou Wallace, reserva que já entrou em várias roubadas, e o lateral-direito Guilherme Andrade, ainda um garoto em afirmação. A boa notícia é que terá o retorno de suas peças mais importantes no meio de campo: Ralf e Paulinho.

O Corinthians, garante Tite, não vai mudar sua maneira de jogar, marcando por pressão e usando Danilo como um pivô. Emerson Sheik, suspenso por seis jogos, foi beneficiado por um efeito suspensivo concedido pelo STJD, ontem, mas que terá validade a partir de amanhã. Ele está fora da partida.

Tite espera um clássico parelho e vê um componente que pode decidir o jogo para qualquer lado: o emocional. Ele recordou de uma importante vitória do Corinthians sobre o Palmeiras logo após a eliminação histórica para o Tolima. "Se eu tivesse perdido aquele jogo talvez não estivesse aqui hoje."

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