Reconstituição da cena ajuda Adriano

Ao posicionar jogador no banco traseiro, porta da BMW não fechou, o que enfraquece a tese da jovem Adriene Cyrilo e fortalece versão do atacante

TIAGO ROGERO / RIO , O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2011 | 03h05

O atacante Adriano, do Corinthians, voltou ontem à 16.ª Delegacia de Polícia (Barra da Tijuca), para prestar novo depoimento e participar da reconstituição da cena na qual teria ocorrido o tiro acidental que atingiu a mão esquerda de Adriene Cyrilo, de 20 anos. Como as versões do atleta e da jovem são conflitantes - ela diz que a arma estava na mão de Adriano, que argumenta o contrário -, todos passaram por uma acareação. "Para mim, já deu", afirmou o delegado titular, Fernando Reis, sem dar detalhes sobre qual teria sido sua conclusão sobre o caso.

Além de dizer que o atacante segurava a arma, Adriene é a única das seis pessoas que estavam no carro - somam-se a eles outras três mulheres e o amigo do atleta, o policial reformado Julio Cesar Barros - a afirmar que o jogador estava no banco traseiro do veículo, de onde partiu o tiro, constatou a perícia.

Adriene foi a primeira a chegar à delegacia. Internada desde domingo no hospital Barra D'Or, ela passou por uma cirurgia de quatro horas anteontem e recebeu alta no começo da tarde de ontem. Menos de 30 minutos depois, a jovem chegou à delegacia e não quis conversar com a imprensa.

Adriano chegou 45 minutos depois, às 15h30, e também não quis conceder entrevista. Duas das outras três ocupantes do carro no momento em que ocorreu o disparo - na madrugada do último sábado, após saírem da boate Barra Music - também foram até a delegacia para participar da acareação. Uma delas, Andreia Ximenes, disse na entrada: "Vim para provar a inocência de Adriano".

Cada um foi mais uma vez ouvido separadamente. Em seguida começou o confronto de depoimentos. O delegado Fernando Reis, responsável pela investigação, também promoveu uma reconstituição do momento do disparo, no pátio da delegacia. A chuva adiou por pelo menos duas vezes o início da movimentação.

Não coube. O delegado criou duas situações. Uma com o atacante no banco da frente, como ele vem afirmando, e outra no banco traseiro. No banco de trás, com três mulheres - entre elas Adriene e uma policial que interpretou a garota que não compareceu - a porta do carro não fechou.

Antes, três peritos do Instituto de Criminalística Carlos Eboli (ICCE) fizeram nova vistoria no carro do jogador e voltaram a afirmar que o tiro partiu do banco traseiro. Segundo os peritos, a arma, no momento do disparo, estava atrás do banco do motorista e o tiro - da pistola .40 de propriedade do policial amigo de Adriano - partiu de baixo para cima, na direção da porta. A marca da bala, que não chegou a perfurar a lataria, ainda pode ser vista do lado de fora do veículo.

Até o fechamento desta edição, Adriano ainda não havia deixado a delegacia. Se ficar comprovado que o atacante mentiu no depoimento, ele pode responder por fraude processual e lesão corporal culposa. Caso Adriene tenha faltado com a verdade, ela pode ser indiciada por denúncia e ação caluniosa.

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