Recorde de público até no treino

Como os ingressos para a prova estão esgotados, torcedores vão atrás das últimas entradas para a classificação

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

24 de outubro de 2008 | 00h00

Diante de os ingressos para a corrida que definirá o campeão do mundo, dia 2, estarem esgotados há bom tempo, a procura por entradas para sábado, quando vai ser disputado o treino classificatório para o grid do GP do Brasil, tem sido a saída para quem deseja acompanhar mais de perto a decisão do título. "Dispomos, ainda, de poucos lugares no sábado para o setor F, nada mais", disse, ontem, Tamas Rohonyi, da Interpro, promotor da prova.Apesar de as chances de Felipe Massa serem bem menores que as de Lewis Hamilton ser campeão, há pelo menos uma geração de brasileiros que não sabe o que é ver o Brasil conquistar o campeonato. A última vez foi ainda em 1991, com Ayrton Senna, no Japão. E pode ser a primeira vez também que um representante do País se torne campeão diante dos próprios brasileiros. Massa precisa vencer e, nesse caso, Hamilton deverá ser no máximo sexto. O segundo lugar pode, ainda, lhe dar o título desde que Hamilton seja no máximo oitavo.A edição desde ano da prova, a 37ª da história, marcará ainda o recorde de público, com 75 mil pessoas domingo em Interlagos. Para assistir à luta pela pole position as bilheterias do autódromo estão vendendo ainda os ingressos do setor F ao preço de R$ 410,00 e que devem ser pagos em dinheiro. O GP do Brasil decidirá o campeonato pela quarta vez seguida. Em 2005 e 2006 deu Fernando Alonso, da Renault, e ano passado, Kimi Raikkonen, Ferrari.A pergunta mais comum ao promotor é por qual razão não se aumenta a capacidade de público de Interlagos. "Para disponibilizarmos mais 20 mil lugares , por exemplo, a prefeitura teria de realizar elevados investimentos na área de infra-estrutura, como aumentar a rede hidráulica, elétrica, construção de banheiros, dentre outros serviços", explica Rohonyi. "E nós não sabemos se esse boom dos últimos anos irá continuar", argumenta. "Não existem mais estádios de futebol com supercapacidade de torcedores. Por enquanto, não há outra saída a não ser adquirir os ingressos tão logo comecem a ser comercializados", diz. Em abril, um mês depois do início das vendas, as entradas de cinco setores já haviam se esgotado. Outra opção para quem deseja acompanhar mais de perto a decisão do Mundial é assistir aos treinos livres de sexta-feira. Das 10 às 11h30 e das 14 às 15h30 os carros vão estar na pista. Para o primeiro dia de atividades do GP do Brasil há ingressos nos setores A (R$ 115,00), M (R$ 180,00) e F (R$ 190,00), que também podem ser adquiridos nas bilheterias do autódromo das 9 às 17 horas.Ontem os equipamentos das equipes Ferrari e BMW já estavam nos boxes de Interlagos. Até domingo todos estarão disponíveis para os mecânicos. Os pilotos costumam chegar mais cedo a São Paulo para adaptarem-se à diferença de 4 horas em relação à Europa, onde todos residem. E os 20 pilotos que vão disputar o GP do Brasil estavam em Xangai até segunda-feira, 10 horas adiante em relação a São Paulo. ACELERADAS O GP do Canadá, retirado do calendário da próxima temporada, pode voltar a fazer parte do Mundial. Ontem o prefeito de Montreal, Gerald Tremblay, reuniu-se com Bernie Ecclestone, promotor da Fórmula 1, em Londres, e saiu otimista do encontro. Há uma dívida de cerca de US$ 30 milhões (quase R$ 70 milhões) dos organizadores com Ecclestone. Se for paga, a prova pode mesmo voltar. Rubens Barrichello não quer nem saber de conversa quando lhe perguntam se o GP do Brasil representará sua despedida da Fórmula 1, depois de 269 provas. "Não será a minha corrida de despedida, mas apenas outro GP do Brasil", disse. Ele tem chance de permanecer na Honda ou de correr pela Toro Rosso em 2009. Felipe Massa disse ontem, em São Paulo, que a sua temporada de estréia na Fórmula 1, em 2002, pela Sauber, lhe rendeu a fama de agressivo. Mas, diante de seu desempenho bem mais regular, em especial este ano, sua imagem mudou. "Nunca fui considerado candidato ao título. E, de repente, se você realiza um bom trabalho é ainda mais prazeroso." Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, afirmou que vai se reunir com o presidente da FIA, Max Mosley, "para acabar com a farsa da proibição de ordens de equipe". Para o italiano, "o importante é não afetar os outros. Fora isso, decisões em equipe, num esporte por equipes, é a melhor coisa", argumenta. "Veja o exemplo do ciclismo, onde um integrante do time parte para o sprint para favorecer o seu companheiro", comparou o dono da escuderia.

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