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'Surfe em onda grande é medido pela diversão', diz Garrett McNamara

Norte-americano está no Brasil para prestigiar campeonato de surfe em Santa Catarina e fala sobre a famosa praia de Nazaré

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2015 | 07h00

Um velho ditado no surfe conta que o tamanho de uma onda não se mede em pés ou metros, mas em medo. Para o destemido Garrett McNamara, norte-americano acostumado a descer "montanhas de água", a situação é diferente. "Eu meço em diversão. Se não for legal, não me arrisco", conta, em entrevista exclusiva ao Estado.

Recordista mundial ao pegar uma onda de 24 metros na praia do Norte, em Nazaré (Portugal), McNamara está no Brasil a convite de seu patrocinador para prestigiar o Red Nose Pro 15 em Florianópolis, etapa da divisão de acesso do Circuito Mundial de Surfe. "O Brasil tem uma grande faixa litorânea e não tem lugar melhor para estar do que perto do mar", afirma o atleta de 48 anos.

McNamara percorre o mundo atrás de novos desafios. Ele já pegou inclusive ondas maiores que 24 metros, marca reconhecida pelo Guinness, mas sabe que as medidas são sempre subjetivas e polêmicas. "Acho que quem surfa pelo tamanho ou por recordes está fazendo isso pelas razões erradas. Tem uma onda gigantesca que já surfei milhões de vezes na minha cabeça, e fiz tanto isso que quase sinto que não preciso surfá-la realmente. Sei que ela está lá fora, em algum lugar."

Há cinco anos, ele começou a explorar a cidade de Nazaré, em Portugal. Ele vinha recebendo constantemente e-mails de uma pessoa que pedia para ele ir conhecer o local. "Fiquei cinco anos sem dar bola para aquilo, até que minha esposa falou para eu ir lá. Isso mudou minha vida", explica McNamara, que vai direto para Portugal após deixar o Brasil na próxima semana.

Na praia do Norte, em Nazaré, um cânion submarino faz com que toda a energia da onda se afunile em um ponto, criando perfeitas condições para ondas gigantes. "Eu pesquisei em todas as partes do mundo, procurei em muitos lugares, mas nenhum local tem um cânion submarino como Nazaré. Para se ter uma ideia, se em Supertubos, em Peniche, está dez pés de altura, em Nazaré está 50 pés. É um fenômeno."

 

Com o projeto que fez em Nazaré, McNamara inclusive ajudou a levar mais turistas para Portugal. "O país não estava indo muito bem, e a maneira mais rápida de você melhorar a economia é com o turismo. Eu mantive o foco nos visitantes, para além das ondas. Foi um grande projeto para Portugal", conta, lembrando que até hoje recebe novas propostas. "Apareceram muitas oportunidades e convites depois disso."

Os brasileiros também estão indo cada vez mais para Nazaré. A surfista Maya Gabeira, por exemplo, está lá para encarar novamente a temida onda que quase tirou sua vida há quase dois anos. O experiente Carlos Burle também está lá, junto com Pedro Scooby. "Gosto de surfar com eles, quando nos encontramos pegamos ondas juntos", comenta McNamara.

Ele sabe muito bem os perigos que o esporte pode oferecer. Um projeto que quase deu errado foi encarar as ondas formadas a partir da queda de imensos blocos das geleiras, no Alasca. "O primeiro dia não foi divertido, e eu queria ir embora. Mas meu parceiro me convenceu a ficar. No final foi legal, mas é realmente muito perigoso, estivemos perto da morte, por isso não volto mais para lá."

Para manter a segurança na busca por ondas grandes, ele é bem metódico. "Eu estudo o local por um ano, investigo as correntes, falo com a Marinha, com surfistas, faço todas as indagações possíveis e depois me concentro na minha equipe, organizando os equipamentos de segurança e os jet esquis. É um longo processo", conclui.

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