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Queniano Eliud Kipchoge festeja chegada na Maratona de Berlim, na Alemanha. Nike

Recordista mundial da maratona, queniano já mira nova marca

Em entrevista ao ‘Estado’, Eliud Kipchoge agora pensa em baixar seu próprio recorde mundial de 2h01min39s

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2018 | 05h00

O queniano Eliud Kipchoge entrou para a história do esporte no domingo ao bater o recorde mundial da maratona. Ele percorreu os 42.195 metros da prova em Berlim com o tempo de 2h01min39s. O atleta pode ser comparado a outras lendas do esporte, como Usain Bolt, o maior velocista da história, ou Michael Phelps, maior nadador de todos os tempos. Claro que a quantidade de conquistas é menor, até pelo tipo de competição que disputa. Mas Kipchoge sabe que tem tudo para ampliar marcas e recordes. Nesta entrevista exclusiva ao Estado, ele conta como foi que conseguiu a façanha e admite ser possível superar a barreira das duas horas na prova.

Você quebrou o recorde mundial da maratona. Ficou surpreso com o tempo que fez?

Eu me senti ótimo, mas realmente fiquei surpreso ao chegar em 2h01min39s. Sabia que tinha chance de bater eventualmente o recorde mundial, mas não imaginava que seria tão rápido assim.

É a realização de um sonho?

Com certeza. Esperava bater o recorde, mas não imaginava que o cronômetro chegasse nas duas horas e um minuto. Eu apenas esperava poder correr abaixo de 2h02min57s, que era a antiga marca da prova.

Uma de suas características é estar sempre sorrindo, mesmo correndo sob pressão e fazendo esforço. Como consegue isso?

Maratona é a minha vida. E se você realmente quer ser feliz, então tem de aproveitar a vida. É por isso que sorrio, porque gosto de correr a maratona.

Qual foi a sua estratégia para a Maratona de Berlim?

Tinha um plano simples: manter um ritmo alto e correr a primeira metade entre 61 minutos e 61 minutos e 15 segundos (correu em 61min06s). Fiz isso.

Todo maratonista sonha em derrubar a mítica barreira das duas horas na prova. Seu tempo ainda está acima disso. Acha que um dia vai conseguir o feito?

Não existe uma ciência de foguetes para quebrar essa barreira. Você simplesmente tem de acreditar que pode e necessita de um grande time que acha que seja possível. É preciso ter calçados perfeitos e também você precisa ser mais forte do que qualquer outro corredor. Então tudo é possível.

No ano passado existia uma grande expectativa de que você pudesse bater o recorde nessa prova, mas não deu. Dá para comparar com a edição deste ano?

Há tempos venho gostando da Maratona de Berlim, mas no ano passado o tempo na cidade estava ruim. Este ano o clima foi ótimo. Tanto que é meu lugar favorito para correr, pois é plano e uma prova rápida.

Como foi a reação do público ao acompanhar você na disputa?

As pessoas foram incríveis. Sem os torcedores aplaudindo, teria sido muito mais difícil no final. O apoio era como música para os meus ouvidos.

Logo no início você deixou os rivais para atrás, imprimindo um ritmo forte. Esperava isso?

Eu não pensava nos meus concorrentes, a única coisa em que me concentrava era no ritmo que queria correr. Estava sozinho nos últimos 17 quilômetros, mas não pensei sobre isso. Meu foco era que tinha de manter as passadas até o último quilômetro da corrida.

Durante a maratona, em que momento se deu conta de que poderia bater o recorde mundial?

Eu tinha certeza de que seria capaz de fazer um novo recorde depois de 30 quilômetros de prova.

Muito se comenta do tênis que foi desenvolvido com sua ajuda. Isso contribuiu para você ser mais rápido ainda?

Na verdade, o calçado serve para todos os corredores, não só para mim. Testei e a Nike aceitou meu feedback. Contribuí para fazer um tênis mais rápido do que qualquer outro já idealizado. Mas ainda é o atleta que tem de correr rápido.

Quais são as características que um corredor precisa ter para disputar uma maratona?

Treinamento estável e consistente, paixão e autodisciplina, que é manter o foco e viver uma vida simples.

Você acha que pode correr mais rápido ainda?

Nenhum humano é limitado. Tudo é possível, e os recordes estão aí para serem quebrados.

Você ganhou a medalha de ouro olímpica nos Jogos do Rio, aqui no Brasil. Agora quebrou o recorde mundial da maratona mundial. Quais são seus próximos passos?

Meus planos são um pedaço de papel em branco. Normalmente passo por um objetivo de cada vez. O plano era correr em Berlim. Vou dedicar um tempo para me recuperar do desgaste. Tenho família, então quero passar um tempo com eles. Também gosto de ler. Isso é o que me mantém feliz quando estou em recuperação.

Você vai disputar os Jogos Olímpicos em Tóquio, em 2020?

Continuarei correndo e tentando ser bem-sucedido. Nunca pensei em me aposentar.

 

 

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Atleta tem premiação alta e bônus por recorde conquistado em Berlim

Kipchoge recebeu US$ 250 mil (cerca de R$ 1 milhão) após a prova

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2018 | 05h00

Recordista mundial da maratona, Eliud Kipchoge engorda sua conta bancária a cada corrida. Em Berlim, com a façanha, ele recebeu US$ 250 mil (cerca de R$ 1 milhão) contando premiação da prova, bônus por bater a marca histórica e valores extras oferecidos por patrocinadores. As receitas geradas em torno de seu sucesso são milionárias.

Principal maratonista da atualidade, o queniano venceu dez das últimas 11 provas que disputou. Entre as conquistas estão a maratona nos Jogos Olímpicos do Rio, a de Londres (três vezes), de Chicago e de Berlim (três vezes). Também já venceu em Hamburgo e Roterdã. Falta em sua galeria de troféus a de Nova York, uma prioridade para o queniano antes dos Jogos de Tóquio. Entre as outras grandes provas de rua, ele também ainda não venceu a Maratona de Boston e a de Tóquio.

São nove vitórias seguidas em maratonas e o recorde poderia ser mais expressivo caso não tivesse ficado atrás de Wilson Kipsang em Berlim, em 2013.

Além de escolher provas a dedo, de olho nas premiações e para ampliar sua hegemonia, Kipchoge mantém um projeto com a Nike, sua patrocinadora, para tentar correr os 42.195 metros abaixo das duas horas. Na campanha Breaking2, veiculada ano passado, ele correu no autódromo de Monza e fez 2h00min25s, o que seria o recorde mundial, mas não foi homologado. Existe a possibilidade de a empresa lançar novamente uma segunda edição do projeto, que se baseia no tênis Zoom Vaporfly 4% Flyknit Elite, desenhado com a ajuda e dicas do campeão olímpico.

Segundo a fabricante, o calçado tem uma tecnologia que garante melhoria média de 4% na corrida. O tênis é liberado a todos os atletas, mas logo que foi lançado gerou polêmica e denúncias de que seria um “doping tecnológico”. Mas a Iaaf, entidade mundial do atletismo, não criou barreiras para o modelo, que está dentro dos padrões e pode ser usado em qualquer prova do calendário. 

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