Andrew Boyers/Reuters
Andrew Boyers/Reuters

Recordista mundial, Kipchoge tentará fazer a maratona em duas horas

Queniano fará a segunda tentativa de correr os 42,195 km nesse tempo e se tornar o primeiro a atingir a marca

Victor Mather, The New York Times

09 de maio de 2019 | 04h30

Eliud Kipchoge, o recordista mundial queniano, tentará mais uma vez se tornar a primeira pessoa do planeta a quebrar a barreira de duas horas na maratona.

A tentativa ocorrerá no final de setembro ou início de outubro. Os organizadores disseram que estavam buscando um “circuito plano e circular” e que cidade de Londres é a principal candidata. O Battersea Park (também em Londres) era uma possibilidade, relatou o jornal inglês The Guardian.

Kipchoge chegou apenas 25 segundos após superar o marco de duas horas (2h00min25) no autódromo em Monza, na Itália, em 2017. Seu tempo não foi considerado um recorde mundial por várias razões. Outros atletas de primeira linha entraram e saíram da corrida e deram o ritmo para o Kipchoge. Um carro passou na frente dele para bloquear o vento. E ele recebeu bebidas entregues de bicicleta.

Nada disso é permitido em corridas de maratona tradicionais, nas quais os recordes mundiais podem ser definidos. Espera-se que na sua nova tentativa também use esses métodos, embora nenhuma decisão final tenha sido tomada.

A tentativa anterior de Eliud Kipchoge foi rejeitada por grande parte do mundo dos corredores como algo espetacular. Mas a corrida atraiu muita atenção, com dezenas de milhares de pessoas transmitindo-a ao vivo no meio da noite.

E quando as pessoas viram Kipchoge irresistível, chegar perto da barreira de duas horas – e dois outros maratonistas nem chegaram perto –, começaram a compreender o quanto é considerada difícil a corrida de menos de duas horas, independentemente de quanto apoio e assistência um corredor possa receber.

Kipchoge estabeleceu o recorde mundial oficial na maratona em setembro, correndo a prova em 2h01min39 em Berlim, na Alemanha, sob condições legais, apesar de a corrida usar pace-setters (precursores). Em Londres, no mês passado, ele correu a segunda maratona mais rápida de todos os tempos, dominando a corrida e terminando em 2h02min38.

“Eu realmente acredito que posso correr 26 segundos mais rápido do que em Monza há dois anos”, disse Kipchoge.

O queniano tem sido quase imbatível na maratona nos últimos anos. Ele ganhou grandes maratonas em Roterdã, na Holanda, e Chicago, nos Estados Unidos, e ganhou quatro vezes em Londres e três vezes em Berlim. Ele também é o atual campeão olímpico da maratona – ouro obtido nos Jogos do Rio-2016 – e tem medalhas de prata e bronze na pista em Jogos anteriores, em Pequim-2008 e Atenas-2004, respectivamente.

A tentativa de recorde presumivelmente significa que Eliud Kipchoge não correrá em uma grande maratona de outono, como a de Nova York ou de Chicago, que é basicamente plana e considerada a principal maratona de velocidade dos EUA.

A tentativa será patrocinada pela Ineos, uma empresa de produtos químicos, que tem enfrentado protestos ambientais sobre seu envolvimento com fracking e outros problemas.

Seu presidente, o bilionário Jim Ratcliffe, disse: “Eliud Kipchoge é o maior corredor de maratona de todos os tempos e o único atleta do mundo que tem alguma chance de vencer o tempo de duas horas”.

“Ganhamos bilhões em lucros, então, o que há de errado em investir um pouco disso no esporte, em bons desafios, boas pessoas?”, disse Ratcliffe à agência Reuters. A Ineos também patrocina uma equipe de ciclismo de primeira linha, anteriormente conhecida como Team Sky, que inclui Chris Froome, que venceu quatro vezes vencedor o circuito Tour de France. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

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