Satiro Sodré/Divulgação
Satiro Sodré/Divulgação

Recordista sul-americana, Natália de Luccas desponta na natação

Nadadora de 17 anos bateu a marca continental dos 200 metros costas e defende a seleção brasileira principal pela primeira vez em torneio na Austrália, no fim de janeiro

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

26 de janeiro de 2014 | 05h33

SÃO PAULO - Natália de Luccas tem 17 anos, deixou a cidade de Limeira, no interior paulista, para fazer parte da equipe de natação do Corinthians, e já conseguiu um resultado importante para a nova geração feminina do Brasil. Em dezembro, durante a disputa do Troféu Júlio De Lamare (o Campeonato Brasileiro Júnior), ela bateu o recorde sul-americano dos 200 metros costas, que durava havia quatro anos.

A marca passou um tanto despercebida, mas a paulista quebrou um jejum que já durava quase uma década. Foi em junho de 2004 que, pela última vez, uma brasileira havia conquistado um recorde continental em uma competição júnior – na ocasião, Joanna Maranhão, nos 800 m. Dois meses depois, Joanna conquistaria o melhor resultado da natação feminina em Jogos Olímpicos, com o quinto lugar nos 400 medley na Olimpíada de Atenas.

Natália ainda dá seus primeiros passos na seleção principal do Brasil. No início da semana, a nadadora e outros 24 atletas viajaram para Perth, na Austrália, onde disputarão o BHP Billiton Aquatic Super Series. A competição, nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro, reunirá também as seleções de Austrália, África do Sul, China e Japão – potências da natação que terão praticamente força máxima.

O BHP Billiton marcará a estreia de Natália com o maiô brasileiro em uma competição adulta. "É uma experiência nova, e eu espero que seja a primeira de muitas", diz a nadadora, que já está convocada para os Jogos Sul-Americanos, no Chile, em março.

Sua meta principal na temporada é a conquista de índices para o Pan-Pacífico, que também será disputado na Austrália, em agosto. Como 2014 não é ano de Mundial em piscina olímpica, o torneio será o mais importante do calendário, e o BHP Billiton é a segunda seletiva – o último é o Troféu Maria Lenk, em abril.

Os resultados conquistados no Júlio De Lamare dão dimensões mais concretas ao desafio de Natália rumo ao Pan-Pac. O recorde sul-americano dos 200 m costas, 2min12s09, é apenas um segundo acima do índice. Nos 100 m costas, está ainda mais perto: tem 1min01s50, a 11 centésimos do índice.

Antes de conquistar tais marcas em dezembro, Natália disputou a principal competição de sua carreira, o Mundial Júnior de Dubai, em agosto, na qual competiu em cinco provas. "Foi lá que eu vi que tempos que pareciam impossíveis estavam sendo feitos. Foi importante para o meu desenvolvimento, porque eu vi que poderia ir além do que eu estava fazendo."

No Mundial, a campeã dos 200 m costas foi a americana Kylie Stewart, com 2min11s55, uma marca não tão distante da que Natália conseguiu meses depois. Mas a prova está em evidência por causa de outra jovem americana. Missy Franklin, um fenômeno, foi campeã mundial em 2011, aos 16 anos, e bateu o recorde mundial (2min04s06) no ano seguinte, ao conquistar o ouro olímpico.

Versátil, Natália nada crawl, borboleta e costas, mas agora terá que se dedicar exclusivamente ao último estilo. A atleta nada desde os 3 anos e, até 2010, treinou no Gran São João, em Limeira, quando recebeu o convite do Corinthians. A troca de clube trouxe, também, modificações na família. Natália mudou para São Paulo com a mãe, Ivânia, enquanto o pai e o irmão gêmeo ficaram no interior.

"Estou muito feliz no Corinthians, não me arrependo. Foi uma escolha bem pensada, e estou treinando com o melhor técnico do Brasil", disse, lembrando de seu treinador, Carlos Matheus. "Estou em boas mãos para ir atrás do meu sonho, que é uma final em 2016."

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