Recuperação surpreende os médicos italianos

O fato de ser atleta ajuda bastante, mas contusões, gravíssimas, impedem de se fazer prognóstico se ele poderá voltar a correr

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2011 | 00h00

PIETRA LIGURIA, ITÁLIA

Os médicos que operaram Robert Kubica, no hospital Santa Corona, disseram-se, ontem à noite, surpreendidos com a evolução do quadro clínico do piloto. "O paciente passou a tarde em estado de semissedação, conversou com os pais, seu médico pessoal (Claudio Cicarelli), não há sinais de infecção, respira espontaneamente e bem", explicou o doutor Giorgio Barabino. "Não há dúvida de que o fato de ser um superatleta tem muito a ver com essa recuperação não comum num cidadão sem o seu preparo", comentou o diretor do hospital, Eliano Delfino.

Mas a atenção maior da mídia era com o doutor Igor Rossello, responsável pela "remontagem" da mão direita de Kubica, como definiu. "Foram nove horas de intervenção. A maior dificuldade foi a microcirurgia de religamento neurológico", contou. Dois nervos principais acabaram seccionados pela lâmina do guardrail que entrou no carro. Embora o ortopedista doutor Lanza tenha destacado, também, outro motivo grande de preocupação é quanto ao eventual regresso do polonês às pistas: "O cotovelo direito teve de ser reconstruído. Nesses casos, é difícil o paciente apresentar exatamente a mesma mobilidade articular de antes."

A favor de Kubica está a superprofissional estrutura que será montada para procurar recuperar todos os seus movimentos físicos, lembra Delfino. Rossello já realizou ontem mesmo alguns experimentos, apenas horas depois da complexa cirurgia na mão, tão logo houve redução do estado de sedação. "Compreendemos que a vascularização está restabelecida e o paciente responde a estímulos, o que denota avanços neurológicos também."

Incertezas. Por mais que os médicos falem em tempo de recuperação, todo fã de Kubica e dos grandes talentos da Fórmula 1 deseja saber: ele vai voltar a pilotar um carro desafiadoramente exigente com os da Fórmula 1 e quando? "Não dá para responder agora. Seria precipitado. O que é certo é que não terá exatamente a mesma mobilidade de antes. E não dá para prever a extensão do quanto é essa perda", disse Rossello. Fora dos microfones, os médicos estimam, na melhor das hipóteses, em seis meses para Kubica começar a pensar em pilotar novamente. "Serão necessárias outras intervenções", explica o doutor Lanza.

Os pilotos de Fórmula 1 necessitam de tonicidade muscular, para segurar o volante com força. Nem tanto para girar o volante, por ser hidráulico, mas para manter os braços atados ao volante quando submetidos a acelerações laterais próximas dos 3 Gs, no contorno das curvas mais velozes. Além da tonicidade, é preciso sensibilidade nos dedos, em especial na Fórmula 1 moderna, que a cada ano acrescenta mais botões no volante para o controle das mais distintas funções.

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