Recuperada, Maria Zeferina treina forte

Maria Zeferina Baldaia, de 32 anos, treina forte em Sertãozinho, interior do Estado, nos últimos dias que antecedem a Corrida Internacional São Silvestre, a ser realizada dia 31. Recuperada do overtraining (caso em que o atleta acaba doente por desgaste físico e descanso insuficiente), que a deixou o ano passado afastada sete meses das provas de rua, Zeferina sonha até hoje com a prova que a revelou. Foi em 2001, em sua estréia na São Silvestre, que a ex-cortadora de cana foi campeã.Antes disso, havia se destacado na Maratona de Curitiba e sido vice-campeã da Maratona de São Paulo. "Naquela época, ninguém me conhecia e eu não tinha patrocínio. Então, tinha de correr tudo quanto era prova por causa das premiações, para poder me sustentar. Por isso, acabei tendo esse probleminha de saúde, mas hoje estou 100%." Hoje, com a ajuda de dois patrocinadores (Mizuno e Usina Santa Elisa), que não deixaram de pagar o salário da atleta enquanto esteve parada, Maria Zeferina passou a respeitar mais o limite do seu corpo e a treinar um pouco menos. Os treinos são feitos duas vezes por dia e chegam a 180 km semanais - chegavam a 200km.Com a construção da primeira pista de atletismo da cidade o ano passado, Zeferina conseguiu dividir o seu treino. Treinos com quilometragem baixa, para ela, abaixo de 10km e tiros curtos são feitos na pista. Acima disso, são realizados nos canaviais de sua cidade, onde começou aos 12 anos. Passou dez anos de sua vida correndo descalça, até conseguir patrocínio.Na pista, ganhou a companhia de uma pessoa muito especial e inspiração de sua carreira: o filho Michael Jordan, de 12 anos. Fanática pelo ex-jogador do Chicago Bulls, a corredora não teve a chance de ver o filho despontar no basquete. "Uma pena, ele é baixinho tem 1,47m. Ele está no atletismo e tênis de mesa." Na pista, ela pode ver um pouco da evolução do filho no seu esporte predileto. "Como ainda é novo, faz um pouco de tudo, provas de fundo, salto em distância, arremesso de peso. Já ganhou algumas medalhinhas em provas de rua." Num futuro próximo, não descarta a hipótese de ter mais um filho.Também vai ter nome de atleta? "Com certeza. Será a minha Rosa Mota (ex-corredora portuguesa), que venceu seis edições da São Silvestre.Sou fã dela." Em 2001, quando estreou e venceu a São Silvestre, Maria Zeferina disputou quilômetro a quilômetro com a queniana Margaret Okayo, que ficou com o vice-campeonato. Margaret não vem este ano. "Justo agora que quero correr com ela? Seria a nossa revanche", brincou. No ano passado, Zeferina abandonou a disputa na subida da Brigadeiro Luis Antônio, e completou a prova caminhando. "Estava sem ritmo de prova porque estava sem competir." O segredo para vencer este ano é um só: "Começar a prova no bloco principal e seguir até a subida da Brigadeiro. Ali vai vencer quem tiver mais fé, garra e arranque", disse. E completou: "teremos um pódio recheado de brasileiras, posso estar lá."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.