Daniel Ochoa de Olza/AP
Daniel Ochoa de Olza/AP

Red Bull continua dando as cartas

Nos treinos livres de ontem, em Barcelona,Mark Webber foi o melhor e o companheiro e líder Vettel, o terceiro

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2011 | 00h00

Era para ser em Istambul, há duas semanas. Mas a maioria das equipes transferiu seu pacote de mudanças nos carros, destinado a aproximá-las do desempenho da Red Bull, para o GP da Espanha. Ontem, nos primeiros treinos livres da prova, quinta do calendário, no Circuito da Catalunha, os pilotos de Ferrari, McLaren e Mercedes, um tanto ansiosos antes de entrarem na pista, tiveram a primeira resposta sobre o eventual avanço de seus carros.

A extensão da definição do campeonato depende da eficiência do trabalho dos projetistas desses times. "Nosso objetivo é não deixar Sebastian Vettel (líder do Mundial, da Red Bull) fugir demais na classificação para, como no ano passado, lutar pelo título na segunda metade da temporada", disse Fernando Alonso, da Ferrari. "A variação do comportamento dos novos pneus duros impediu de chegarmos a uma conclusão a respeito dos novos componentes, mas a sensação é de que andamos para a frente."

Mark Webber, da Red Bull, registrou, ontem, o melhor tempo do dia, 1min22s470, confirmando o que afirmara com exclusividade ao Estado, um dia antes, quando disse que a competição começava, para ele, em Barcelona, a exemplo de 2010. Mas a hora da verdade para Alonso, seu companheiro, Felipe Massa, e as duplas da McLaren, Lewis Hamilton e Jenson Button, e da Mercedes, Michael Schumacher e Nico Rosberg, será hoje. No treino de classificação vão conhecer, com maior precisão, o quanto evoluíram. A definição do grid começa às 9 horas, de Brasília.

Apesar de ter ficado a apenas 39 milésimos de segundo de Webber e na frente de Vettel terceiro, Hamilton é prudente: "Temos muitas novidades, mas não me arrisco a dizer nada até amanhã (hoje). Minha McLaren está rápida, não há dúvida. Agora, não estou certo de que eles (Red Bull) tenham exigindo tudo".

A Pirelli distribuiu no Circuito da Catalunha novos pneus duros, destinados a dar maior autonomia que na Turquia, quando apresentaram durabilidade semelhante aos do tipo macio. "Queremos aumentar a margem de as equipes planejarem sua estratégia", explicou Paul Hembery, diretor da empresa italiana.

Mas muitos pilotos reclamaram, ontem, desses pneus. "São muito duros, o carro fica dois segundos mais lento", falou Button. Hamilton foi mais contundente: "São um desastre". Massa comentou não ser possível compreender corretamente se as modificações no escapamento aerodinâmico da Ferrari e as outras novidades geraram a melhora de desempenho esperada. "Os novos pneus duros tornaram o carro imprevisível." Falou não ser possível saber o que é responsabilidade dos pneus e o que é dos componentes novos. Mas, como Alonso, sentiu a Ferrari melhor. O espanhol ficou com em quinto, a 1 segundo e 98 milésimos de Webber, e Massa, em oitavo.

A Pirelli se defende: "Deveriam ter dito que não gostaram nos novos pneus duros na Malásia e na Turquia, pois os disponibilizamos para testes na sexta-feira nesses GPs. Os pilotos talvez não se interessaram em experimentá-los", argumentou Hembery. O fato é que essa característica dos pneus condicionará o desenvolvimento das 66 voltas da corrida no traçado de 4.655 metros, amanhã. O GP da Espanha poderá ter ainda mais surpresas que na prova de Istambul, recordista em número de pit stops, 81, e ultrapassagens, 79.

Rosberg, 6.º ontem, estava feliz. Para ele, os pneus tiveram menos influência na análise da evolução da Mercedes. "Treinei visando à corrida, com mais gasolina, penso que poderia ter sido mais rápido. Demos outro passo adiante", comentou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.