Ahmad Yusni/EPA/EFE
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Red Bull fará reuniões para estancar a crise

Equipe tem até o GP da China, daqui a três semanas, para selar a paz entre Sebastian Vettel e Mark Webber

LIVIO ORICCHIO , ENVIADO ESPECIAL/ SEPANG, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2013 | 02h06

KUALA LUMPUR- Como o intervalo até a próxima etapa do campeonato, o GP da China, dia 14, é de três semanas, o melhor que os integrantes da Red Bull têm a fazer é discutir com maior profundidade o ocorrido domingo, na Malásia, daqui a alguns dias. "Já conversamos, sob o calor da disputa, e teremos outra reunião antes da etapa de Xangai", disse Christian Horner, diretor da Red Bull.

O jovem e capaz dirigente inglês referia-se a seu piloto Sebastian Vettel que, contra o que se imaginava dele, desobedeceu a ordem dada pelo próprio Horner, na 46.ª volta da corrida em Sepang, para não ultrapassar seu companheiro, Mark Webber, o líder, e vencer a competição. O australiano tinha ritmo contido para reduzir os esforços do motor e manter os pneus Pirelli, concebidos para apresentarem rápida degradação, em condições até a bandeirada, dez voltas mais tarde. Atendia também ao pedido de Horner.

Nesse conflito que envolve Vettel, Horner e até Webber, pela forma como o australiano reagiu no pódio, expondo o clima perigosamente tenso que existe, todos, na realidade, pisam em ovos. Há vários interesses em jogo, por essa razão o mais provável é que antes da etapa da China a escuderia divulgue uma foto com os dois pilotos apertando as mãos, sob a chancela de Horner, para anunciar a paz. Mas que não será verdadeira.

Punir Vettel é algo que assusta Horner e seus superiores, Helmut Marko, eminência parda do grupo, e o dono da empresa, Dietrich Mateschitz. O motivo: não há outro piloto do seu nível no mercado. Existe um consenso que Vettel, Lewis Hamilton e Fernando Alonso são supertalentos. Hamilton acabou de assinar com a Mercedes até o fim de 2015 e Alonso tem contrato com a Ferrari até o fim de 2016.

A Red Bull, tricampeã do mundo, teria de apostar em outro piloto, decisão de alto risco para quem investe 240 milhões de euros ( R$ 700 milhões) por ano no seu projeto.

A perda da Red Bull por "atingir" Vettel é imensa. Ficou claro domingo que o jovem alemão de 25 anos é susceptível, mais vaidoso do que parecia. As circunstâncias impõem prudência antes de estabelecer uma eventual punição a Vettel.

O outro lado dessa moeda é o que Vettel pode fazer caso pense em deixar a Red Bull. E sua situação não é muito confortável, como se pode pensar de um piloto que vem de três títulos seguidos. Vettel já ouviu do presidente da Ferrari que ele e Alonso juntos está fora de questão, por mais que Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, tente influenciar o negócio.

Vettel também conhece a política da Mercedes. Agora que parece ter entrado no rumo certo para crescer, colocar Vettel ao lado de Hamilton seria um convite à desestabilização. Não há opção para o alemão senão iniciar um relacionamento com a McLaren. A extensão do compromisso de Jenson Button é desconhecida, mas não seria problema. Se não for o inglês a abrir espaço para Vettel seria o mexicano Sergio Perez, sob o argumento de que não correspondeu à expectativa. Ainda que venha a atender o que se espera dele, num duelo com Vettel pelo carro da McLaren não seria páreo.

Do lado de Webber o que está em jogo é o seu futuro no time e talvez até na F-1. Perto de completar 37 anos, tem de demonstrar este ano ser piloto com cacife para permanecer na Red Bull ou em outra organização potencialmente vencedora, as únicas que pagam seus pilotos para correr. Seu desempenho na Malásia é um reflexo dessa necessidade. Desejar tornar as coisas mais duras, não atender a orientação de Horner, seria o caminho mais curto para não ter o contrato renovado e provavelmente ter de abandonar a F-1.

Esse quadro quer dizer uma coisa: nessa história, ninguém pode radicalizar nas suas ambições. Tudo passa por uma solução de compromisso, que atenda, dentro do possível, o interesse de todos.

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