Redução de salários, a única saída dos clubes

Dirigentes alertam para o aumento das dívidas e falam em pagar menos a jogadores e técnicos

Amanda Romanelli, O Estadao de S.Paulo

20 de julho de 2009 | 00h00

O crescente endividamento preocupa - e muito - o grupo dos mais importantes clubes brasileiros. Tanto que o Clube dos 13 (que na verdade reúne 20 equipes) pretende tomar medidas conjuntas para evitar a completa falência de seus associados. Uma equipe de trabalho para tratar do assunto deve ser formada e o tema já habita as conversas dos dirigentes há, pelo menos, quatro anos.A saúde financeira dos clubes foi tema dominante da última assembleia geral da entidade, realizada em São Paulo, na sexta-feira, com direito a palestra do presidente do Palmeiras, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo. Autoridade no assunto, o dirigente mostrou dados sobre a realidade econômica de clubes brasileiros e estrangeiros. Fez um alerta: é preciso diminuir os gastos de maneira urgente. "E acho que nossa saída é fazer isso de forma conjunta."Para Belluzzo, não há outra medida senão a autorregulamentação do mercado da bola. "Nós é que temos que definir o que podemos pagar. Não defendo um teto salarial, mas acho que os clubes têm de se unir e serem obrigados a comprometer apenas um percentual de sua receita com salários." Fábio Koff, ex-presidente do Grêmio e líder do C13, concorda. "Não se trata de estabelecer um teto. Mas é preciso haver uma regra de convivência entre os clubes."O problema é conseguir a união dos times - ao menos daqueles que fazem parte do C13 - para evitar a supervalorização de atletas e treinadores diante de um cenário tão competitivo. Dirigentes reclamam da dificuldade na contratação de jogadores e técnicos, que, segundo eles, estão longe da realidade na hora de exigir os valores de seus salários. "Eu estou quase na zona de rebaixamento e não consigo contratar jogadores, porque todos eles pedem muito alto", lamentou Sílvio Guimarães, presidente do Sport. "Tenho sofrido muito. Perdi recentemente três atletas porque não paguei o que eles queriam. Um deles pediu salário de R$ 92 mil. Não aceitei. E ele fechou com outro clube por R$ 40 mil."Belluzzo afirma que essa é a saída. Ainda que recusar a contratação de um jogador importante ou de um treinador estrelado custe severas críticas de companheiros de diretoria, associados do clube e torcedores. "Recebi vários e-mails mal-educados de torcedores dizendo que eu deveria ter fechado a contratação do Muricy. Mas e se aceitasse? Como pagaria? A decisão está nas nossas mãos." De acordo com o presidente, o Palmeiras já iniciou, com a demissão de Vanderlei Luxemburgo, um severo corte de gastos no departamento de futebol - e ainda deve rescindir o contrato de 13 jogadores. O Santos de Marcelo Teixeira também pode iniciar o saneamento de dívidas. E o Flamengo já decidiu: técnico, agora, será registrado de acordo com a CLT. Tudo para não ficar pagando rescisões milionárias ou salários para vários treinadores ao mesmo tempo.

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