Reforma sem nexo

A inteligência se manifesta em alguns corredores da CBF, muitas vezes longe das salas onde as decisões são tomadas. O caso da reforma da Copa do Brasil, apresentada na semana passada como uma mudança do calendário, é um caso assim.

Paulo Vinícius , Coelho, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2011 | 03h06

O Departamento Técnico da entidade afirma que não houve reforma do calendário, mas a correção de um defeito da Copa do Brasil.

A partir de agora, os clubes classificados para a Libertadores terão também o direito de disputar o mata-mata mais charmoso do país.

Sem reforma, o calendário segue burro e inchado.

Ricardo Teixeira não mexeu no que existe de mais urgente. Quando a seleção joga, os clubes não podem entrar em campo, sob pena de tornar impossível tanto o trabalho de Mano Menezes, quanto dos técnicos de clube.

Há um mês, Mano Menezes e Dorival Júnior tiveram uma divergência pública, num seminário realizado em Porto Alegre.

O treinador da seleção questionou o colega do Internacional por ter afirmado que a seleção leva jogadores para amistosos sem importância.

Em 2007, a Copa América tirou apenas três jogadores do Brasileirão.

Em 2011, desfalcou o Brasileirão de seis atletas.

Dos 82 jogadores chamados por Mano Menezes, 44 jogam por clubes brasileiros, ou 53%.

Em quatro anos, um probleminha virou um problemão.

O diretor do departamento técnico da CBF, Virgílio Elísio, é um dos que pensam ser prioridade corrigir essa distorção. Mas julga ser impossível com o calendário atual.

A prioridade de Ricardo Teixeira foi outra: atender à televisão. Como os direitos de transmitir Libertadores e Copa Sul-Americana agora pertencem à Fox, a ideia foi colocar todos os grandes na Copa do Brasil.

Tempos passados. Até o ano 2000, o calendário se espremia e clubes podiam disputar três torneios simultâneos.

Em 1999, o Palmeiras perdeu para o River Plate numa quarta-feira, 26 de maio, pelas semifinais da Taça Libertadores, voltou direto para o Maracanã e empatou como Botafogo na sexta-feira, dia 28. Dois dias depois, no domingo, 30, venceu a Portuguesa por 4 x 3 pelo Paulistão. Ganhou a Libertadores, mas perdeu o Paulista e a Copa do Brasil.

Em 1994, o São Paulo jogou duas vezes no mesmo dia, contra o Grêmio, pelo Brasileirão, e Sporting Cristal, pela Copa Conmebol. Juninho Paulista jogou as duas.

Prioridade é evitar que esse tipo de situação volte a acontecer. Também é permitir que o técnico da seleção brasileira trabalhe sem atrapalhar, nem ser atrapalhado pelos clubes. Mas não, nisso não se mexe.

Nos corredores da CBF em que as decisões não acontecem, há gente capaz de fazer somas e subtrações. Neles, a ideia de Andrés Sanchez de paralisar o Brasileirão para os clubes excursionarem gerou um comentário: só se o campeonato terminar no carnaval.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.