Regata terá tripulação de mulheres

A organização da Eldorado Brasilis confirmou mais um participante na maior regata de vela oceânica de longo percurso do País. E não é apenas mais um concorrente ao título da quarta edição da competição. O 17º barco confirmado na Eldorado Brasilis é o fita azul de 2002 e será conduzido de Vitória a Ilha de Trindade - para contorná-la e voltar a capital do Espírito Santo num total de 1.260 milhas náuticas (2.336 quilômetros) - por uma equipe feminina. "E como nós somos muito chiques, nosso uniforme será feito por nossa patrocinadora", conta, satisfeitíssima, Erika Lessmann, 45 anos, que ao lado de Nádia Medeiros Gonçalves, de 39, vai comandar o "Eldorado Daslu" - veleiro de 50 pés que sob o nome de "V-Max" foi campeão da Eldorado Brasilis 2002. A proposta da equipe feminina surgiu no começo do ano, mas só foi confirmada um mês antes da largada, marcada para o dia 18 de janeiro: "Estávamos meio de sobreaviso e portanto já esperávamos que surgisse um bom patrocínio. Graças a Deus deu tudo certo e depois do Natal eu e Nádia vamos a Salvador buscar o barco. Provavelmente vamos passar o Reveillon à bordo, perto de Abrolhos." Uma tripulação de mulheres não é novidade para as velejadoras, que se reuniram pela primeira vez para a Santos-Rio de 1984: "Primeiro velejamos eu a Nádia, a Kika (Francisca Angeli, de 39 anos) e depois a Anninha (Osser, 39 anos). Nesse período participamos de várias regatas, mas nunca um desafio do porte da Eldorado Brasilis. Foi isso o que nos estimulou mais." A equipe contará também com as velejadoras Helena Von Sydow, dona de uma agência de viagens que mora no Havai e vem ao Brasil especialmente para a regata; Andréa Paradeda, de 31 anos, que trabalha numa empresa do ramo gráfico; Christina Norris, de 38 anos e a repórter Paulina Chamorro, da Rádio Eldorado: "A Paulina vai mandar sete boletins diários para a Rádio, então vai estar bem ocupada. Mas também vai ficar responsável pelo recebimento dos boletins do tempo, com a qual faremos nosso planejamento estratégico." A nona vaga da equipe estava aberta até hoje à tarde: "Hoje eu vou entrevistar uma médica de 22 anos que veleja. Tomara que dê certo. Vai ser ótimo estar com alguém com esse perfil a bordo. Até para fazer um bom curativo", explica, rindo. Sem deixar de lado o bom humor, Erika garante que na medida em que vai competir com tripulações masculinas, o Eldorado Daslu precisará de certos cuidados a mais: "Temos de ser humildes e reconhecer que a nossa força física é menor. Mas para compensar vamos usar inteligência e habilidade." As diferenças não param por aí. E é preciso muito cuidado com o que levar para os prováveis 11 dias no mar: "O importante é que cada uma leve o que a faça se sentir bem. Todos os cremes, os protetores solares. Maquiagem eu não sei se vai ter tempo de a gente usar, enfim."

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