Rei, taxista oficial dos atletas do Inter

Cassafuz tem grupo de clientes fiéis

, O Estadao de S.Paulo

30 de junho de 2009 | 00h00

A sorte caiu do céu, ou melhor, esticou a mão para Geovani Cassafuz, 49 anos. O taxista do carro 4477 é torcedor fanático do Internacional e sempre passava na Avenida Padre Cacique, em frente ao Beira-Rio, admirando seu clube de coração. Até, dois anos atrás, um menino com cabelo black power dar sinal. A corrida era curta, de menos de 1 km, mas mudou sua vida completamente."Era o Alexandre Pato, ainda começando carreira", revela Geovani. "Estava indo para a concentração." No rápido percurso, o taxista ouviu o desabafo de um jovem apaixonado que acabara de tomar um fora da namorada. Pior, a música que lembrava o casal, dos Inimigos da HP, tocava no rádio do carro. Começava ali uma amizade que ajudaria a tornar Geovani o taxista oficial dos jogadores do Inter.Tudo facilitou a aproximação. A garotada da base não podia ir a pé do clube para a concentração - as alternativas eram ônibus ou táxi. Pato preferiu chamar Geovani, que por coincidência tinha um sobrinho também nas categorias amadoras. A futura estrela colorada fez questão de recomendar os serviços aos companheiros. A freguesia aumentou: Taison, Luiz Adriano, Sidnei, Titi, todos jovens, faziam questão de andar no Santana do Rei, apelido de Geovani.Ficaram tão amigos que ele ensinou os rapazes a dirigir. "Tem uma história do Pato bem engraçada. Ele falou que iria dirigir até a concentração e deixei. Mas não dirigiu bem, saiu dando tranco no carro e o deixou morrer em frente a um guarda. Ficou desesperado, porém, nada aconteceu. Rimos até hoje desta aventura."Definindo a tarefa como a mais prazerosa de sua vida, Rei cativou os ídolos do time. Com o carinho dedicado aos jovens, a fama chegou aos profissionais. Hoje vê até dirigentes contarem com seus serviços. "Magrão, Guiñazu, Sorondo, Taison, D?Alessandro, Índio, Michel, Andrezinho...", tenta não esquecer ninguém.Para quem acha que é conversa fiada de motorista, faz questão de registrar tudo em fotos. Fotos que mostram uma amizade muito além da prestação de serviço. "É verdade, hoje, nem roupas eu compro mais, eles me dão de presente", gaba-se. "Olha aqui o óculos que ganhei do Magrão, da Prada, posso até botar banca."O argentino Guiñazu, contudo, é quem adotou Rei como membro de sua família. Na maioria das fotos Geovani aparece abraçando o volante ou com o filho do argentino nos ombros. "Ele até me levou à Argentina para passar férias. Conheci Córdoba, Rosário e Cabrera, onde ele nasceu. E não gastei um centavo. Que cara maravilhoso", elogia. Para Guiñazu, Rei é o Giggio, ou Papa, como o trata em constantes telefonemas. "E quando faz algo esportivo, sempre me escolhe de parceiro. Tem honra maior?"

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