Relação de Ganso com a diretoria é distante

Meia confirma venda de 10% de seus direitos para o grupo DIS e deixa no ar possível saída: 'vamos ver depois do Mundial'

LUÍS AUGUSTO MONACO / NAGOYA ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2011 | 03h06

Depois de três dias em silêncio no Japão, enfim Ganso falou. E confirmou com todas as letras a informação dada ontem com exclusividade pelo Estado de que vendeu para a DIS os 10% de seus direitos econômicos, os quais o Santos não se interessou em comprar. A transação foi fechada por R$ 5 milhões.

Enquanto o time treinava, na beira do campo o assunto entre os jornalistas era a notícia dada pelo Estado. Será que Ganso passaria pela área de entrevistas ou repetiria a tática da véspera e sairia por outra porta? Se falasse, confirmaria o que foi publicado?

A expectativa acabou pouco depois do treino, porque o meia foi um dos primeiros a entrar na sala. Todos os repórteres se apertavam para ouvi-lo, o que ajudou muitos jogadores a atravessar a área sem serem parados para falar. E logo na primeira pergunta o craque abriu o jogo: "Confirmo que vendi meus 10% para a DIS, que agora tem 55% dos meus direitos contra 45% do Santos."

A cada resposta o meia foi deixando claro que seu relacionamento com a diretoria santista não é o mar de rosas pintado pelo sempre otimista Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro, e também que continua confiando plenamente nos homens da DIS - embora o presidente santista diga o contrário.

Ele ouviu várias vezes a mesma pergunta: "O que você achou de o Santos não ter querido comprar os seus 10% embora o presidente diga que vai apresentar um projeto para valorizá-lo?" E deu respostas diferentes, sempre acrescentando uma dose de decepção. "Eu também fico querendo saber o que levou o Santos a não ter interesse em comprar", foi uma. "Não me sinto desvalorizado pelo clube, mas a verdade é que eles não quiseram comprar minha parte" foi outra. "O futebol é assim mesmo, se um não quer vem outro e compra", foi a que mandou o recado de maneira mais clara.

Por contrato, o Santos tinha de ser avisado no caso de Ganso receber uma proposta por seus 10%. Também por contrato, levaria a fatia do jogador se igualasse a oferta recebida. O prazo se esgotou dia 3, data da reeleição de Luís Álvaro, sem que o clube exercesse sua preferência. "A iniciativa de vender minha parte partiu de mim mesmo, e o Santos foi comunicado sobre isso. Como não quis comprar, vendi para a DIS e fiz um negócio muito bom."

Fica ou sai? Ele garantiu que apesar de a parte da empresa ter passado a ser maior do que a clube, sua vontade de ficar é a mesma. Mas deixou aberta a porta para sair. "Vamos sentar depois do Mundial e ver o que é melhor." Nenhum dirigente santista apareceu para comentar a situação e dizer se o motivo de o clube não ter comprado os 10% de Ganso foi falta de interesse ou falta de dinheiro. O vice-presidente Odílio Rodrigues ficou no hotel.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.