Relâmpago Bolt brilha em Berlim

O fenômeno jamaicano se diverte na final dos 100 m, ignora o desafiante Tyson Gay e alcança novo recorde: 9s58

BERLIM, O Estadao de S.Paulo

17 de agosto de 2009 | 00h00

A espera demorou exatos 365 dias. A prova era a mesma. O resultado e o protagonista, também. O jamaicano Usain Bolt, quase 23 anos, fez no Mundial de Berlim o que já havia realizado na Olimpíada de Pequim: venceu os 100 metros, a prova mais nobre do atletismo, de maneira assustadora, estabelecendo novo recorde mundial.Em 16 de agosto de 2008, Bolt assombrou o Ninho de Pássaros com seus 9s69. Ontem, 16 de agosto de 2009, demonstrou que é impossível calcular seu limite. No Estádio Olímpico, venceu em impressionantes 9s58. Não há ninguém superior a ele no mundo. Algo que, talvez, até Adolf Hitler concordaria.No local em que o americano Jesse Owens pôs abaixo a supremacia ariana sonhada pelo fuhrer nos Jogos de 1936, oito atletas negros perfilavam-se na pista azul. Passava pouco das 16h40 (de Brasília). A prova mais rápida do atletismo fechou o segundo dia do torneio. A grande expectativa era pela disputa de Bolt e Tyson Gay, até então com a melhor marca do ano (9s77).Mas o duelo não ocorreu, ainda que ambos estivessem lado a lado. Medalha de prata, o americano fez o melhor tempo de sua vida - 9s71, apenas dois centésimos acima do antigo recorde mundial. Mas, na raia 5, só viu a sombra do jamaicano. Bolt corria no lugar destinado aos melhores, a raia 4. Largou bem e, depois de 60 m, olhou duas vezes para o lado direito. O americano estava atrás, bem atrás. Com a vitória certa, mirou o lado esquerdo. Lá estava o cronômetro. Quando viu sua marca, ao ultrapassar a linha de chegada, não fez expressão de alívio. Bateu no peito. Mais uma vez, era o melhor.

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