Remo feminino sonha com vaga em Atenas

Atenas, via Rio de Janeiro e El Salvador. Este é o percurso que a remadora Mônica Anversa, de 32 anos, pretende cumprir para disputar sua primeira Olimpíada. A escala inicial é no Rio, na próxima semana, na segunda avaliação nacional do remo. A avaliação terá a participação de 60 atletas de 9 Estados e, por meio dela, o técnico argentino Ricaro Ibarra vai formar a seleção brasileira que participará em maio da Regata Pré-Olímpica, em El Salvador.Mônica integra a equipe do Paulistano, a única de São Paulo (com seis remadores) na avaliação. Ela compete no single skiff , tem experiência de dois Pan-Americanos (quinto lugar em Winnipeg, 1999; e quarto em São Domingos, 2003) e tem boas chances de ser selecionada."No Pré-Olímpico, as chances de o Brasil conseguir classificação para Atenas são amplas, pois são cinco vagas e somos uma das forças na América Latina, ao lado de Chile e Cuba??, revelou Mônica.O remo feminino luta para ir à sua primeira Olimpíada e tem chances de mandar representante no single skiff e no double skiff, peso leve. "O remo feminino brasilero ainda está engatinhando, mas estamos evoluindo??, avisou a atleta.É justamente a vontade de participar dessa evolução que fez Mônica, formada em Farmácia, dar um tempo na profissão para dedicar-se totalmente ao remo. Acorda às 4h30 da manhã todos os dias para treinar, de domingo a domingo. Treina pela manhã e à tarde. "Tenho como objetivo a Olimpíada e também ajudar na evolução do remo feminino, até para deixar alguma coisa para as gerações futuras??, explica a remadora, que pelo esporte também adiou os planos de ter filhos.Mônica consegue a tranqüilidade para dedicar-se ao remo no apoio do marido e também da empresa de engenharia Conalt. "Eles me ajudam na parte médica, com os equipamentos, nutricionista??, explicou. E também vai passar a receber R$ 1,3 mil mensais por meio de um patrocínio firmado entre a Federação Paulista de Remo e a Nossa Caixa, para atletas da seleção estadual.Pode-se dizer que Mônica passa por uma época de calmaria, depois do sufoco que enfrentou em 2000, quando foi contratada pelo Flamengo, mas chegou a ficar seis meses sem receber. "Tive de fazer coisas como reduzir a alimentação. Faltou respeito comigo e com os outros atletas. Mas acabei trocando a dívida por minha liberação??, contou. Isso, porém, é passado. No presente, ela só quer pensar em, num futuro bem próximo, se ver remando na raia em Atenas.

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