Renata Castro aponta várias falhas no caso Rebeca Gusmão

Ex-médica da CBDA acredita que nadadora será inocentada da acusação de fraudar o exame antidoping

Valéria Zukeran, de O Estado de S. Paulo,

14 de dezembro de 2007 | 21h28

A ex-médica da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Renata Castro, alega ter bons motivos para acreditar que Rebeca Gusmão será absolvida de pelo menos duas das três acusações de irregularidades em seus exames antidoping. Com aparente tranqüilidade e segurança, ela garante que houve várias falhas no processo de análise que podem levar a nadadora a ser inocentada, tanto na Justiça Desportiva como na Comum. Para Renata, por exemplo, o resultado do exame de DNA comprovando que duas das amostras de urina de Rebeca continham células de pessoas diferentes - o caso foi parar na polícia por suspeita de fraude - pode ser contestado. "Em primeiro lugar, foi quebrada a cadeia de custódia [seqüência de ações que garantem que a amostra de um exame antidoping não foi contaminada ou adulterada], quando os frascos saíram do Ladetec [laboratório que fez o exame antidoping] para o Sonda [responsável pelo exame de DNA]", explica. "Pior: o recipiente que continha uma das amostras não era o original - o material foi passado de um frasco para outro e até a etiqueta era diferente. Isso dá margem a que possa ter acontecido qualquer coisa: desde a contaminação da amostra, até o fato de que a urina que foi para o Sonda não tenha sido a da Rebeca." A médica insiste na tese de que o exame de DNA foi realizado de forma irregular, porque precisaria de autorização da nadadora. "Ele [o exame] não é aceito como prova na Justiça Desportiva e só poderia ter sido realizado com autorização da Rebeca, porque deixa de fazer parte do procedimento de antidoping e passa a fazer parte da relação médico-paciente." Contaminação Renata conta que participou da elaboração da defesa de Rebeca, no caso do antidoping positivo para testosterona de maio de 2006, a ser julgado pela Corte Arbitral do Esporte (CAS), em janeiro. Segundo a médica, a defesa não se baseia só no fato de que a nadadora tem ovários policísticos. "A amostra [analisada no laboratório Armand Frappier, em Montreal] estava contaminada com bactérias, o que pode resultar em falso positivo", pondera. "Em casos assim, ela é descartada", explica. "E temos fortes indícios de que houve quebra de confidencialidade pela maneira como foi feito o relatório", prossegue. A legislação esportiva determina que, ao fazer um exame antidoping, o laboratório nunca deve saber a quem pertence a amostra. Renata também considera estranho o procedimento da Federação Internacional de Natação (Fina) no exame de Rebeca do dia 12 de julho, o qual também constatou níveis anormais de testosterona - resultado que levou a nadadora a ser suspensa no mês passado. "Não entendo: a Fina fez quatro exames antidoping no Pan", recorda. "Três deles foram analisados no Ladetec, e só o da Rebeca foi para o Canadá - justamente no mesmo laboratório que ela estava contestando em outro caso." Renata diz ter entregado para a polícia outros indícios de irregularidades ocorridas durante o Pan do Rio. "Mas não vou comentar, porque envolve outras pessoas, e é preciso que a polícia investigue antes que eu possa falar algo."

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