AO VIVO

Confira tudo sobre a Copa do Mundo da Rússia 24 horas por dia

Renê Simões reivindica melhor contrato

René Simões afirmou, hoje, que gostaria de permanecer no comando da seleção brasileira, após a partida diante dos Estados Unidos, que marca o fim de seu contrato, mas com uma importante condição. Exige passar a ter salário decente. O treinador contou ter recebido propostas de algumas seleções, entre elas da África, e de clubes do Brasil, mas garante não ter iniciado nenhum tipo de negociação. Começará, no entanto, a conversar com as agremiações se a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não atender suas reivindicações. "Não considero o que eu ganho aqui um salário, para mim, é só ajuda de custo", comentou. "Não dá nem para pagar as minhas contas e não aceitaria a proposta, se não tivesse o objetivo de ir a uma Olimpíada e fazer um projeto com o time feminino." Simões fez questão de dizer que sua intenção ao fazer tais declarações não era a de reclamar da situação, mas expor os fatos. A entrevista, no entanto, causou estranheza, principalmente por ter sido dada na véspera da decisão da medalha de ouro. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, afirmou que o objetivo da entidade é mantê-lo no cargo. Resta saber se aceitará pagar o que o treinador solicita. "Se ganhar, por exemplo, o que o Ricardo Gomes ganhava no time masculino, tudo bem", acrescentou Simões, que é casado e tem três filhas. "Não quero ser rico, mas preciso de uma remuneração." Projeto Kubitschek - Simões quer ter o trabalho reconhecido. Quando assumiu o cargo de comandante da equipe feminina, em março, pegou um grupo desarrumado, desunido. As jogadoras viviam fase difícil, pois haviam brigado com seu antecessor, o técnico Paulo Gonçalves, e também sofriam com a crise do futebol no Brasil, ainda existente - há mais de três anos, inúmeros clubes tradicionais decidiram acabar com a modalidade e os campeonatos desapareceram. "A auto-estima delas estava baixa, precisávamos fazer um trabalho psicológico." Foi naquela ocasião que começou o "projeto Juscelino Kubitschek", intitulado pelo próprio Simões. Quando entrou na presidência, em 1956, Juscelino disse que o Brasil estava atrasado demais e precisaria crescer 50 anos em apenas cinco. De acordo com o treinador, a seleção teria de evoluir 2,5 anos em apenas seis meses. Teve sucesso e foi capaz de tirar o máximo de cada atleta num curto espaço de tempo. A chegada à final olímpica já é, sem dúvida, uma grande vitória de Simões e das garotas, mesmo que o ouro não chegue. Hoje, ele levou o ex-ala de basquete Paulinho Villas Boas para fazer palestra para o elenco, na qual o tema foi superação. Paulinho participou da equipe de basquete que derrotou, surpreendentemente, os poderosos americanos na final do Pan-Americano de Indianápolis, em 1987. Para enfrentar as americanas, o técnico brasileiro vai manter a escalação de segunda-feira, quando o time derrotou a Suécia por 1 a 0, jogando de forma ofensiva, com três atacantes.

Agencia Estado,

26 Agosto 2004 | 08h46

Mais conteúdo sobre:
olimpíada 2004 olimpíada

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.