Renê Simões tenta conter a euforia

As meninas do futebol brilharam contra a forte Suécia na vitória por 1 a 0, hoje, em Patras, e garantiram mais uma medalha para o Brasil na Olimpíada, a prata, na pior das hipóteses. A decisão do ouro será na quinta-feira, às 15 horas (de Brasília), em Atenas, contra a poderosa equipe dos Estados Unidos, que bateu a Alemanha por 1 a 0 na prorrogação, após empate por 1 a 1 no tempo normal. As meninas se abraçaram como se tivessem conquistado o título. O ouro está perto, mas, mesmo que não consigam passar pelas americanas, já foram longe demais. Pela primeira vez, o futebol feminino vai ao pódio. Em Atlanta-96, quando a modalidade passou a fazer parte da Olimpíada, e, em Sydney-2000, o Brasil terminou na 4.ª colocação. "Conversei bastante com elas sobre esse fantasma das duas Olimpíadas anteriores e disse que, agora, estava tudo diferente e que o resultado seria outro", contou o técnico René Simões. A festa no vestiário foi grande, era possível ouvir a gritaria das garotas. O treinador, porém, tratou de chamá-las para pedir que não exagerassem na euforia. Afinal, ainda falta o último jogo. E o primeiro lugar seria a consagração, algo que os homens jamais conseguiram em toda a história. Simões revelou que prometera a elas o pódio em abril, quando tinha apenas um mês de trabalho com o grupo. Foi justamente após derrota para os Estados Unidos por 5 a 1, no dia 24 daquele mês, em amistoso realizado na América do Norte. "A derrota para os Estados Unidos foi nossa grande vitória. A partir daquele dia começamos a crescer." A seleção evoluiu consideravelmente e, sem dúvida, figura como uma das melhores do mundo. Não foi por acaso que fez 7 a 0 na Grécia, 5 a 0 no México e, hoje, ganhou com méritos da Suécia, atual vice-campeã do mundo e uma das forças do esporte. O país europeu, com menos de 9 milhões de habitantes, conta com 220 mil jogadoras federadas. O Brasil não tem nem campeonato. Hoje, por exemplo, havia pelo menos três vezes mais jornalistas suecos que brasileiros acompanhando a partida semifinal. Susto no início - A impressão, no primeiro tempo, era de que o trauma de Atlanta e Sydney pudesse voltar a afetar as atletas - Formiga, Pretinha, Roseli e Tânia Maranhão estiveram presentes nas duas ocasiões. Nervosas, chegaram a bater boca em campo. Mônica, por exemplo, quase fez gol contra de cabeça, ao tentar afastar a bola. O clima de tensão preocupou Simões, que chamou a atenção das meninas, como em poucas vezes. "Tive de tirar o chicote no intervalo e dar uma bronca nelas", declarou Simões. A ´chicotada´ fez efeito. A seleção voltou bem melhor para a segunda etapa, pressionou as européias, criando boas oportunidades, e chegou ao gol, aos 19 minutos. E que gol! Marta, a talentosa camisa 10, fez excelente jogada e tocou para Pretinha. A atacante driblou a goleira e empurrou a bola para a rede. "Foi a única oportunidade que tive em todo o jogo, mas é coisa de atacante, é preciso acreditar sempre", comentou Pretinha. Pena que apenas 1.511 pessoas viram o lance no Estádio Pampeloponnisiako. Agora, a missão mais difícil: bater as americanas. O Brasil só venceu uma vez os Estados Unidos, de quem se tornou ´freguês´ nos últimos meses. Na primeira fase, as equipes se cruzaram e as adversárias ganharam por 2 a 0. "Mas nós jogamos bem, poderíamos ter vencido e, agora, elas vão passar a nos respeitar", observou Formiga. "Acredito que vamos sair com o ouro."

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