Renovado, Rodrigo Pessoa chega a Atenas

O que passou, passou. Rodrigo Pessoa chega para esta Olimpíada com a mesma dedicação que já trazia em Barcelona/92, na sua estréia em Jogos, e pronto para encarar a competição como um concurso normal, "preparação bem feita, sem mistério, apenas com uma pressãozinha a mais". Mas o próprio cavaleiro, que em Sydney/2000 perdeu uma grande chance de ficar com a medalha de ouro individual do salto, com o refugo do cavalo "Baloubet", e nesta quarta-feira ainda fazia a mala em Bruxelas pela manhã, admitiu: "Alugamos uma casa perto do centro eqüestre em Markopoulos para ter mais tranqüilidade, para não deixar a pressão nos atingir tanto. Também por isso viemos mais em cima da hora."Enquanto esperava o pai, Nelson Pessoa, o Neco - um dos maiores nomes da história do hipismo mundial - "atrasado, como sempre!", Rodrigo ainda falou da filha Cecília que nasceu há 15 dias. "Por conta do nascimento de Cecília, o cavaleiro contou que dormiu "mais ou menos" nestas duas últimas semanas, mas não está reclamando nem um pouco disso: "É tão difícil deixá-la para trás outros 15 dias, tão pequenininha, mais 15 dias... Ela está muito bem."Os treinos do salto do hipismo serão nesta quinta e sexta-feira, com inspeção dos cavalos na sexta-feira. A competição começa no domingo. Por equipes, o Brasil vem de duas medalhas de bronze olímpicas, em Atlanta/96 e Sydney/2000, quase "um pequeno milagre" na definição do cavaleiro e as expectativas do brasileiro são de outra medalha. "O ouro deve ficar com Estados Unidos ou Alemanha. O bronze terá na briga uns quatro ou cinco países - Brasil, Bélgica, Suécia..."Favoritos - Rodrigo disse que o alemão Marcus Ehning, primeiro do ranking mundial, não estará nesta Olimpíada, mas Marco Kutscher estará, o que deixa a equipe no mesmo nível. Quanto aos Estados Unidos, a equipe está realmente forte. "Eles deram sorte. A seletiva deles é muito dura, por pontos. Não há lugar para falta, para poupar cavalo, essas coisas. Uma passagem infeliz e se perde a vaga. Desta vez, foram os quatro melhores que fizeram os quatro primeiros lugares.Da equipe brasileira, continuou, são dois cavaleiros, Rodrigo e o Doda (Álvaro Affonso de Miranda Neto), e um cavalo ("Baloubet"). Os outros são Bernardo Resende Alves e Luciana Diniz-Knippling. "É o que temos de melhor. Muitas coisas mudam em quatro anos. Acho que misturamos uma boa fórmula."Luciana fez uma temporada excelente com "Mariachi", "o Doda é o nosso joker (coringa), com o cavalo ´Countdown23´, sem muita experiência", e Bernardo Resende Alves montará "Canturo", cavalo de nove anos, que vem muito bem - ganhou um concurso importante há um mês, no Canadá. "Não temos o luxo de ter os quatro cavalos 100%. Não somos um país de tradição, de cultura eqüestre. Daí os milagres."Para Rodrigo, Sydney/2000 é encarado como passado. "Vamos tentar que não aconteça outra vez, lutar o máximo, aliás como da primeira vez." De sua estréia olímpica em Barcelona/2000, o cavaleiro disse que com relação à sua preparação nada mudou. "Teve a emoção da cerimônia de abertura, a gente fica superexcitado, está na Vila Olímpica com os outros esportes, essas coisas. Hoje quero um pouco mais de tranqüilidade. Alugamos a casa, chegamos mais na última hora para não deixar a pressão atingir tanto. Mas também não vou deixar de ir à Vila durante o concurso, visitar, dormir um dia ou outro lá.

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