Reserva, vaias, fase ruim. E o estrelato

Dagoberto, Hugo e Jorge Wagner foram contestados e se recuperaram

Amanda Romanelli e Giuliander Carpes, O Estadao de S.Paulo

08 de dezembro de 2008 | 00h00

O São Paulo sofreu no início da temporada. Parecia perdido. Mas conseguiu se colocar nos eixos e terminar o ano com um título importantíssimo. O reflexo do time no ano pode ser simbolizado por alguns jogadores de seu elenco. Atletas que passaram por momentos complicados durante a temporada, foram contestados pela torcida, amargaram a reserva. É o caso do ala Jorge Wagner e também do meia Hugo e do atacante Dagoberto. Depois de fases ruins, deram a volta por cima e ajudaram a equipe a conquistar pela terceira vez consecutiva a taça do Brasileiro. Dagoberto foi contratado em 2007 com status de estrela. Depois de longa batalha jurídica entre o jogador e o clube que defendia, o São Paulo pagou mais de R$ 5 milhões ao Atlético-PR e ficou com ele. No fim da temporada passada, ajudou o time a ser campeão e deu mostras de que poderia justificar o gasto e a expectativa nele depositadas. Não foi o que aconteceu. No início de 2008, Dagoberto jogou pouco, perdeu espaço e sua displicência nos treinamentos irritaram Muricy Ramalho. O técnico chamou-o para uma conversa e lhe aconselhou a mudar a postura, treinar mais e reclamar menos. A cobrança deu resultado. O atacante se firmou como titular, entrosou-se bem com Borges e até marcou os seus gols - foram seis no campeonato. "Parei para rever alguns conceitos, fiz uma auto-análise, conversei com o Muricy e coloquei na minha cabeça que precisava aprender a marcar, ajudar o time", lembra o jogador. "Hoje todos reconhecem meu empenho", comemora. O mesmo ocorreu com Hugo, contratado ao Grêmio depois de boa temporada em 2006. O jogador teve um bom início em 2007, mas acabou o ano de maneira melancólica: suspenso por 120 dias após dar uma cusparada em um jogador do Paraná, durante um jogo do Campeonato Brasileiro passado. Em 2008, mais problemas - chegou a ser afastado do time. Mas Muricy resolveu apostar no jogador e impediu que fosse negociado. Hugo passou a jogar mais adiantado, a ajudar na marcação e aprimorou sua finalização, com os pés e também com a cabeça."O Hugo é um ponta-de-lança, não um armador", explica Muricy. "Demorou para se firmar porque precisou melhorar. Como ele é forte nas conclusões por cima e por baixo, ensinei a entrar na área." O resultado: Hugo foi vice-artilheiro da equipe no Brasileiro, com 14 gols, ao lado de Borges, que fez 16.Jorge Wagner foi fundamental para a conquista de 2007. Jogador de confiança de Muricy, passou por maus momentos neste ano. Amargou a reserva no pior jogo do São Paulo na temporada, como gosta de lembrar o treinador, contra o Atlético-MG (1 a 1), no Mineirão. Tinha motivo: o filho Juan nasceu em agosto com problema no rim e precisava de uma cirurgia. "Tentava pensar só no futebol, mas é difícil para um pai esquecer que o filho está sofrendo", recorda. Não passou de um susto. A cirurgia foi feita, Juan hoje está saudável e Jorge Wagner voltou a jogar como antes. Como com Hugo e Dagoberto, sua recuperação significou a afirmação do São Paulo. Só podia resultar em título. NÚMEROS14 gols marcou Hugo no Brasileiro, artilheiro do time ao lado de Borges10 assistências fez Jorge Wagner, o ?garçom? são-paulino

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