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Reservas de campos de golfe nos Estados Unidos aumentam durante a pandemia

No mês passado, porcentagem de locais abertos saltou de 44% para 88%

Bill Pennington, The New York Times

08 de maio de 2020 | 15h21

Ao meio-dia do dia 17 de abril o governador de Minnesota, Tim Waltz, anunciou que os 450 campos de golfe fechados por causa da pandemia de coronavírus seriam abertos no dia seguinte. Neste dia, o Hazeltine National Golf Club, sediado a cerca de 40 quilômetros de Minneapolis, ativou o sistema online de reserva de espaços. Em questão de dois segundos, 172 golfistas preencheram a lista de reservas para o próximo dia.

“Entramos no sistema dois segundo depois das 15 horas e vimos que todos os horários até as 18h30 já haviam sido reservados”, disse Chandler Withington, profissional de golfe que dirige o clube Hazeltine. “Em todo o estado, todos os campos estavam lotados.

Minnesota é um microcosmo do boom do golfe que tomou conta dos Estados Unidos, à medida que que os locais eram reabertos no mês passado, quando a porcentagem de campos abertos saltou de 44% para 88%, de acordo com a National Golf Foundation. Existem mais 16 mil campos de golfe nos Estados Unidos e apenas um quarto pertence a clubes privados. Com as escolas e academias fechadas e muitos parques e playgrounds com entrada proibida, o golfe se tornou uma rara recreação ao ar livre que combina exercício, companhia, competição e espaço.

“Com tanta coisa que você não pode fazer no momento, e poucas que pode, o golfe nunca foi sentido tanto como liberdade, neste momento”, disse Withington.

Além disto, os operadores campos de golfe em todo o país afirmam estar observando algo novo no comportamento e na demografia dos clientes: famílias inteiras, enjauladas em casa, vêm aparecendo nas listas de reserva; as vendas de espaço de jogo com desconto para jovens estão explodindo, e mais golfistas estão aparecendo porque normalmente somente membros da família podem dividir um carrinho.

“Tenho visto muitas pessoas que não jogam golfe há algum tempo”, disse Scott Krieger, gerente-geral do Broadmoor Golf Course em Portland, Oregon.

“Vemos mais pais e filhos, pais, filhas, maridos e esposas também”.

Krieger disse que o campo vem tendo tanta demanda que chegou a ter 300 golfistas por dia, mas para evitar aglomeração limitou o número a 150.

Não é costume os golfistas que jogam mais por recreação manterem o bom humor especialmente depois de uma rodada difícil repleta de tacadas acimas do par ruins. A pandemia, contudo, aparentemente aplacou essa irritabilidade.

“As pessoas têm coisas mais importantes para se preocupar do que ter de completar três tacadas no green final. Disse Mike David, diretor executivo do Indiana Golf Office, que supervisiona cinco entidades de golfe.

Ou, como disse Tim Christ, diretor de atividades de golfe no departamento de parques do condado de Essex, em Nova Jersey,  “as pessoas vêm ao campo usando máscaras no rosto, mas digo a você que elas chegam sorrindo”.

A alegria associada ao golfe tem sido bem acentuada nos últimos tempos em Nova Jersey, onde até o último final de semana os campos estavam fechados há seis semanas.

“Era frustrante”, afirmou Kory Rosenberg, que regularmente tem dirigido 75 minutos para ir da sua casa em Roseland, até o Estado de Nova York para jogar golfe

“Eu passava por todos os campos fechados perto de casa e, além disto, conseguir um espaço para jogar em Nova York é realmente difícil porque os campos estão lotados”.

E ele insistiu que praticar o distanciamento social recomendado fica fácil. “Nunca há razão para você ficar menos de dois metros do outro jogador” disse ele.

Nova Jersey também se mostrou mais rigoroso do que muitos estados, permitindo apenas dois golfistas no campo de cada vez, em vez dos grupos normais de quatro pessoas.

Outras salvaguardas se tornaram rotina, à medida que cada estado abriu seus campos de golfe, com Massachusetts, Maryland e Vermont se tornando os três últimos. No geral, as reservas para jogar estão sendo feitas e pagas digitalmente ou por telefone. O intervalo entre os grupos de jogadores aumentou, às vezes para 16 minutos, de maneira a deixar muito espaço entre os jogadores.

Houve algumas reações contrárias em alguns estados quanto a se os golfistas estariam respeitando adequadamente o distanciamento social. David, que superintende os campos de golfe em Indiana, disse que as pessoas tiravam tirando fotos de grupos de jogadores e enviavam para agências do governo como prova de que as salvaguardas estabelecidas vinham sendo violadas.

“Alguém vê quatro carrinhos juntos e acha que são muitos jogadores, quando na verdade são quatro em quatro carrinhos. A percepção das pessoas em grande parte é errada”.

Tradução de Terezinha Martino

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