José Miguel Gomez/Reuters - 27/10/2011
José Miguel Gomez/Reuters - 27/10/2011

Responsabilidade de bons resultados no Mundial da Polônia recai sobre Fernando Reis

Sob novo comando desde janeiro após intervenção do COB, Confederação não consegue fomentar o progresso do esporte

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2013 | 18h28

SÃO PAULO - Sem possibilidade de medalha, a delegação brasileira de levantamento de peso embarca nesta quarta-feira rumo a Wroclaw, na Polônia, onde será disputado o Mundial, a partir de domingo.

Novamente as esperanças de melhores resultados recaem sobre os ombros de Fernando Saraiva Reis, campeão nos Jogos Pan-Americanos de 2011, em Guadalajara, no México.

O atleta paulista, que treina na Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, acredita que possa melhorar em até dez quilos a marca que registrou no Pan-Americano da modalidade, na Venezuela, em julho. Ele venceu com 407kg. No Mundial, imagina que possa brigar pelo sexto ou sétimo lugar.

“Espero continuar evoluindo passo a passo, seguindo o meu plano-padrão. Meu objetivo é conquistar uma medalha nos Jogos Olímpicos. Só vou me aposentar da modalidade depois que conseguir isso”.

Satisfeito com sua evolução, Fernando só reserva queixas à estrutura do esporte no Brasil. O treinador cubano Luis Lopez, do Pinheiros, responsável por três dos sete atletas que vão ao Mundial, não foi incluído na delegação, e viajará às expensas do pai de Fernando, que é presidente da Federação Paulista.

“Não entendo isso. Felizmente temos o Instituto Passe de Mágica (comandado pela ex-jogadora de basquete Magic Paula) gerindo a modalidade com verba da Petrobras. Se dependêssemos da Confederação, não existiria nada”.

O romeno Dragos Stanica, que treina outras três atletas da seleção no Rio, acha que a modalidade até evoluiu. Desde dezembro, a Confederação é presidida pelo colombiano Enrique Montero Dias, ex-praticante e ex-árbitro internacional.

O antigo presidente, o interventor designado pelo COB Ricardo de Mesquita Calmon, queria entregar a seleção ao búlgaro Galabin Boevski, campeão olímpico em 2000. Ele está preso por tráfico de cocaína. Se assumisse o cargo, sua pena seria diminuída.

Stanica, um romeno que veio ao Brasil numa trupe circense - ele ficava na base de uma pirâmide humana - enfrenta problemas em seu trabalho com três atletas da seleção (Jaqueline Ferreira - oitava colocada na Olimpíada de Londres, Liliane Lacerda e Rosane Santos).

Ele treina as pesistas no Clube da Caixa Econômica Federal, no Rio. "Temos problemas com a alimentação das atletas. O restaurante não aceita o cartão de vale-alimentação que elas recebem e fecha à noite".

O alojamento também não apresenta as melhores condições, segundo ele. "Está caindo aos pedaços, com vazamentos e tudo", reclama.

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