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Gabriel Medina ainda não conseguiu ter resultados expressivos no Circuito Mundial nesta temporada Divulgação

Resultados ruins não desanimam Gabriel Medina

Brasileiro promete não jogar a toalha na luta pelo Bicampeonato

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

20 de junho de 2015 | 17h00

O que parecia impossível está acontecendo nesta temporada do Circuito Mundial de Surfe: Gabriel Medina, o atual campeão, vem tendo desempenho ruim e ainda não venceu nenhuma etapa. Para piorar, está numa classificação ruim no ranking, mais perto do rebaixamento do que o sonhado bicampeonato. Mas ele evita jogar a toalha, apesar das dificuldades que vem tendo.

“Sei que está complicado, mas vou sempre buscar as vitórias”, afirma Medina, que é famoso por não gostar de perder. “É realmente difícil de aceitar essa situação. Mas fazer o quê? O negócio é continuar trabalhando e buscar dias melhores.”

Nas cinco primeiras etapas do ano sua melhor colocação foi um quinto lugar em Bells Beach, na Austrália. Ficou ainda três vezes em 13º lugar e uma em 25º. E a cada etapa um problema aparecia: falta de ondas em sua bateria, erros em momentos cruciais e até tubarões passando por baixo de sua prancha.

Charles Saldanha, pai e treinador de Gabriel, ainda não chegou a uma conclusão sobre o motivo de os resultados estarem abaixo da média. “Sinceramente não chegamos a uma conclusão. Ele está surfando igual ou melhor do que no ano passado, e sem pressão. Talvez possa ser o relaxamento natural do ser humano, mas não sinto isso nele. Acho que é um pouco de azar. Estamos trabalhando duro e uma hora o resultado vai voltar.”

Os dois se baseiam também na subjetividade do surfe, porque as notas dos juízes nem sempre são as mesmas para os atletas, as condições do mar mudam de uma bateria para outra e o adversário pode estar mais inspirado ou mesmo estar no lugar certo na hora certa para conseguir melhores avaliações.

Tanto Charles quanto Medina garantem que não foi mudado na preparação do surfista em relação ao ano anterior. “Estou fazendo o mesmo trabalho que fiz em 2014. Acho que logo a sorte vai voltar”, aposta o surfista.

Nem mesmo a agenda com patrocinadores tem atrapalhado, segundo Charles. “No segundo semestre do ano passado já tínhamos um volume grande de compromissos e era uma fase crucial do campeonato, mas mesmo assim conseguimos fazer bem. Este ano está tudo melhor planejado e temos uma equipe que organiza tudo. Acredito que não está atrapalhando em nada.”

Logo após ser campeão mundial no Havaí, Medina voltou para o Brasil e ficou com a família. Aproveitou para viajar para Rio e Santa Catarina, curtiu sua férias, segundo ele com bastante responsabilidade, e no final de janeiro já estava em treinamento. “De lá para cá o trabalho tem sido sério e focado”, diz o atleta, que voltou ao Brasil nesta semana para ficar mais próximo da família após a morte do avô materno.

Em breve ele embarca para a África do Sul, onde tentará reverter os resultados da temporada na etapa de Jeffreys Bay, que tem início previsto para 8 de julho. Para Charles, Medina vai motivado porque odeia perder. “A classificação não é boa. Mas com certeza vai mudar”, garante. O filho não perde as esperanças. “Está difícil, mas para Deus nada é impossível. Vou lutar até o último momento pelo bicampeonato.”

BATE-PAPO

Você é um cara bastante competitivo e que odeia perder. Como você está lidando com os resultados ruins na temporada?

É realmente é difícil aceitar. Mas fazer o que? Negócio é seguir trabalhando e buscar dias melhores.

Existe alguma coisa que está atrapalhando o seu desempenho?

Não. Estou fazendo o mesmo trabalho que fiz no ano passado. Acho que logo a sorte vai voltar.

Teve alguma mudança de treinamento, prancha ou qualquer outra coisa em relação ao ano passado?

Nada, tudo praticamente igual.

Como todo grande ídolo, quando os resultados não aparecem as pessoas começam a achar que o atleta se deslumbrou com o título ou perdeu o foco. O que você pode dizer sobre isso?

Pode até ser, mas curti minhas férias com consciência e, de lá para cá, o trabalho tem sido sério e focado.

No ano passado, o John John Florence teve apenas duas boas colocações nas seis primeiras etapas, parecia que seria um ano ruim, mas deu uma arrancada no final e quase brigou pelo título. Isso serve de inspiração para não jogar a toalha?

Claro, sei que está difícil, mas vou sempre buscar a vitória.

Você acredita no bicampeonato mundial?

Está difícil, mas para Deus nada é impossível. Creio Nele e vou lutar até o último momento.

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Empresário afirma que fase vai deixar campeão mais forte

Cesar Villares nega que exista 'salto alto' por parte do surfista

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

20 de junho de 2015 | 17h00

Gabriel Medina continua com os mesmos patrocinadores do ano passado, mudaram apenas os tipos de contrato - ele ficou mais valorizado após o título. Além de Mitsubishi, Samsung, Vult Cosmética e Oi, entre outros, ele está numa campanha da Air New Zealand. “Qualquer atleta no topo, como Federer, Nadal ou Neymar, tem compromissos e responsabilidades. Mas nada está atrapalhando os treinos dele”, diz Cesar Villares, que cuida da carreira do surfista.

Ele garante que não existe salto alto e que o momento de baixa é normal para qualquer esportista. “O Kelly Slater ganhou seu segundo título depois de dois anos, o Guga Kuerten foi ganhar novamente Roland Garros após três anos. O Gabriel chegou no topo, mas está treinando duro, está focado e uma hora o resultado vai voltar a aparecer.”

Para Villares, esse momento de resultados ruins pode ser bom lá na frente. "Isso dá força para ele ficar calejado. Tudo p que está acontecendo o deixa mais forte."

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