Marcos de Paula
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Retirada de ingressos para os jogos ainda preocupa Fifa

Dirigente culpou mania brasileira de 'deixar as coisas para última hora'

JAMIL CHADE E LEONARDO MAIA, Agência Estado

14 de junho de 2013 | 18h20

RIO - Faltando poucas horas para a bola rolar na Copa das Confederações, a questão da retirada dos ingressos comprados pelos torcedores brasileiros ainda é motivo de preocupação e insatisfação da Fifa. Para o jogo de abertura, neste sábado, às 16 horas, entre Brasil e Japão, em Brasília, ainda havia mais de 5 mil bilhetes não retirados até o início da tarde desta sexta-feira. E para o primeiro jogo no Maracanã, México e Itália, no domingo, mais de 20 mil entradas compradas estavam nas mãos da entidade.

O diretor de marketing da Fifa, Thierry Weil, eximiu a Fifa de responsabilidade sobre os problemas na retirada, mais uma vez depositando a culpa na cultura brasileira de deixar tudo para a última hora e nos atrasos na entrega dos estádios, que impediu a venda com mais antecedência dos ingressos. "As pessoas estão começando a se adiantar na coleta de ingressos. Está apertado, mas confiamos que entregaremos todos a tempo", disse o dirigente, durante a entrevista coletiva diária que a entidade fará no período da Copa das Confederações.

Segundo o dirigente, a capacidade de atendimento nos postos de coleta de ingressos seria reforçada para o fim de semana. No entanto, Weil disse que aqueles que deixaram para pegar seus bilhetes na última hora não têm o direito de reclamar das longas filas. Ao ser lembrado de que a Fifa criou poucos pontos de retirada (apenas um em cada cidade-sede, e três no Rio), o que dificultou que pessoas de outros locais pudessem fazer a coleta antes do dia das partidas, o cartola colocou a culpa no tamanho do País. "O Brasil é um continente. Vocês (jornalistas) queriam que a gente colocasse um ponto em cada cidade?", ironizou o diretor de marketing. "Onde terminaria isso? Precisávamos definir um limite."

Na Copa da Alemanha, em 2006, a Fifa enviou muitos ingressos por correio, até mesmo para outros países europeus, e não houve problema. Quando Weil rejeitou fazer o mesmo para a Copa de 2014, ele foi questionado se não confiava no sistema postal brasileiro. "Do jeito que você coloca...", interrompeu o cartola, irritado. "O ingresso é como dinheiro. Você não fica por aí enviando dinheiro pelo país. Não importa em que país. Eu não era responsável pelos ingressos na Alemanha. Foi um risco que eles (os dirigentes da Fifa) assumiram na época."

De todo modo, ele admitiu que a entidade pode fazer modificações para a Copa do Mundo no ano que vem. Mas, mesmo nesse momento, ele voltou a cutucar a organização brasileira. "Para a Copa acho que os estádios ficarão prontos a tempo, o que nos permitirá vender as entradas com mais antecedência", afirmou Weil.

Ele disse esperar que um grande volume de torcedores vá aos postos de coleta neste sábado e domingo, primeiros dias de jogos da Copa das Confederações. Weil informou que mais de 15 mil agendamentos foram feitos apenas para sábado no Rio. Para domingo, dia da partida entre italianos e mexicanos, o diretor julga que poucos bilhetes ainda estarão sob custódia da Fifa.

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