Thomas J. Russo/ USA TODAY Sports
Thomas J. Russo/ USA TODAY Sports

Retorno de Tiger Woods põe os holofotes mais uma vez na saúde de suas costas

No domingo, golfista jogará pela primeira vez em três meses, encerrando o maior período que ficou sem jogar desde 2017

Bill Pennington, The New York Times

22 de maio de 2020 | 07h00

A exibição de golfe de caridade com Rory McIlroy e seus amigos foi um belo ato de abertura, mas a atração principal do esporte retorna neste fim de semana. No domingo, Tiger Woods jogará pela primeira vez em três meses, encerrando o maior período que ficou sem jogar desde que se recuperou da cirurgia na coluna em 2017. Woods e Phil Mickelson vão repetir o confronto de match-play de 2018, desta vez em benefício dos esforços de combate contra o novo coronavírus e enfrentarão a dupla de ex-rivais da NFL, Peyton Manning e Tom Brady.

A aparição será uma oportunidade significativa para avaliar a aptidão não apenas do jogo de golfe de Woods, mas também de suas costas, que após quatro operações são um curinga anatômico. O último vislumbre competitivo de Woods, 44 anos, no mundo do golfe, ocorreu em meados de fevereiro, quando ele estava rígido e desconfortável, enquanto exibia um desempenho vergonhoso em um par em 11 tacadas nas duas últimas rodadas do Genesis Invitational, que o levou a terminar em último lugar entre os jogadores que não foram eliminados.

Parecia ser um pequeno revés na época. Mas, aproximadamente um mês depois, mencionando problemas nas costas debilitadas, Woods se retirou de uma série de torneios de alto nível em março, incluindo o Arnold Palmer Invitational, que ele venceu oito vezes, e o torneio organizado pelo PGA Tour, o Players Championship. Quando o PGA Tour foi suspenso logo depois, com o Masters adiado no mesmo dia por causa da pandemia de coronavírus, Woods ficou ocioso como milhares de outros atletas profissionais em todo o mundo.

Mas Woods, ao contrário da maioria de seus companheiros, tem uma janela cada vez menor para adicionar algo a seu famoso legado esportivo. Ele está empatado com Sam Snead pelo maior número de vitórias na carreira no PGA Tour, com 82, e seus 15 maiores títulos no campeonato de golfe estão três atrás do total recorde conquistado por Jack Nicklaus.

Não é apenas a idade de Woods que representará um desafio no futuro, pois há dúvidas em relação a quanto tempo as costas dele aguentam. "Se ele estiver em busca de entrar nos livros de recordes, isso precisaria ocorrer em breve", disse Wellington Hsu, cirurgião ortopédico da coluna vertebral no Northwestern Memorial Hospital de Chicago, que estudou atletas submetidos ao mesmo tipo de cirurgia de Woods, fusão espinhal. "É mais provável que ele tenha sucesso agora, do que daqui a três, quatro ou cinco anos. Pelo menos com base na ciência médica."

Hsu, no entanto, acrescentou que nenhum jogador profissional voltou a competir após o tipo de cirurgia de fusão realizada em Woods. "Ele já provou que os especialistas estão errados", disse Hsu. "Algumas pessoas têm uma quantidade incrível de reserva em todas as outras partes do corpo, ou seus músculos são mais fortes e podem suportar uma coluna significativamente degenerada para ter um alto desempenho."

Em uma videoconferência com repórteres este mês para promover o evento de caridade de domingo, que reunirá Woods e Manning contra Mickelson e Brady, Woods parecia estar em forma e disse que estava balançando um taco de golfe livremente mais uma vez. Quando Mickelson provocou Woods por não ter vencido a partida anterior na televisão, Woods pulou da cadeira e disse: "Espera aí, estou com um pouco de frio".

Com um sorriso largo, ele colocou a jaqueta verde que ganhou com sua impressionante vitória no Masters de 2019 nos ombros e na parte superior do corpo como um cobertor. No mês passado, em uma entrevista à GolfTV, que mantém um relacionamento comercial com Woods, ele insistiu que suas costas haviam melhorado bastante desde fevereiro, chamando a diferença de "noite e dia". "Estou me sentindo muito melhor do que naquele momento", disse Woods. "Consegui transformar algo negativo em positivo, treinei muito e levei meu corpo (ao ponto) onde acho que deveria estar."

Embora Woods não consiga defender seu título do Masters até novembro, se chegar a acontecer, e apesar de haver pelo menos um campeonato importante a menos este ano por causa do cancelamento do British Open, a recente pausa nas partidas de torneio pode ser benéfica. "O tempo de folga é fantástico", disse Hsu, que observou que Woods provavelmente tem um caso significativo de artrite nas costas. "O tempo de folga só pode ajudar seus sintomas e sua dor."

Mas se o PGA Tour retomar no dia 11 de junho no Texas, conforme planejado, teoricamente seguiria um cronograma compacto com torneios quase semanais até perto do Dia de Ação de Graças. Na última temporada, em média, Woods tirou cerca de duas semanas e meia de folga entre as participações em torneios. Por cinco vezes, ele deu um espaço de três ou mais semanas entre as competições.

"Vou sentar com minha equipe e descobrir qual é o cronograma de melhores práticas, quais são os torneios que preciso jogar para estar pronto", disse Woods à GolfTV. “Quanto devo jogar? Quanto devo descansar? Tudo isso está em suspenso." "Infelizmente, para mim, já passei por momentos como este em minha carreira, em que segundos parecem meses. Você precisa desacelerar as coisas e fazê-las em um ritmo diferente.” 

O primeiro passo para o retorno é a partida de domingo no campo do Medalist Golf Club, a casa de Woods, em Hobe Sound, na Flórida. "Como profissionais, jogamos muito - os caras estão jogando partidas por aqui", disse Woods na videoconferência. "Mas ainda não estão jogando por troféus. É apenas diferente. Sentimos falta de competir.”/ TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.