Retrospectiva, não. Pequeno balanço

Por mais que nos policiemos para não cair na mesmice, certas atitudes e sensações são inevitáveis de acordo com a época do ano. Agora, por exemplo, ninguém resiste aos tradicionais balanços do Réveillon. Pensamos no que foi bom, no que foi ruim e no que gostaríamos que acontecesse no próximo ano. E no esporte não é diferente.

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2010 | 00h00

Não tenho dúvida de que a grande atração de 2010 foi o time do Santos, sobretudo no primeiro semestre. A equipe, então comandada por Dorival Jr., provou que é possível, ao contrário do que muitos burocratas da bola insistiam em apregoar, unir espetáculo e resultado. Os santistas não só encantaram como levaram o troféu do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil. Tanto é que votei nele na eleição do melhores do ano, promovida pelo Estadão. Nem mesmo a queda de braço entre Neymar e o treinador comprometeu a temporada alvinegra.

Voto tão convicto quanto esse foi o de pior de 2010. Claro, a seleção brasileira de Dunga, que após - reconheçamos - bons resultados nas Eliminatórias e em alguns amistosos, nos constrangeu na Copa do Mundo da África do Sul. Não só pela eliminação ainda nas quartas de final, mas pelo futebol horroroso, acéfalo, que privilegiou a confraria em detrimento do talento. Bem feito! Ainda bem que os deuses da bola ajustaram as coisas e no final deixaram o título com o time de melhor toque de bola. E viva a Espanha!

Mas voltemos ao futebol brasileiro, mais especificamente ao futebol paulista. Sim, afinal de contas, exceção feita aos Meninos da Vila, a sensação de corintianos, palmeirenses e são-paulinos foi de que 2010 já vai tarde, tamanha a escassez de conquistas dos três rivais nesta temporada.

Mas como explicar a fase de vacas magras? Sinceramente, não tenho a pretensão de ser o dono da verdade. Mas existem alguns aspectos que esses clubes deveriam prestar mais atenção em 2011. E o caso mais complicado é o do Palmeiras.

O clube corrói de dentro para fora. Tem potencial para evoluir, mas intrigas e brigas internas pelo poder formam uma espécie de bola de ferro que impede qualquer mudança. Os interesses individuais ficam tão acima em relação aos do clube que proporcionam situações risíveis, que seriam cômicas se não fosse trágicas. A mais emblemática delas é a situação ter dois candidatos na eleição de janeiro. Mesmo sabendo que a única chance de vitória seria a união e que o único lado que ganha com esse cenário é a oposição, nenhum dos dois candidatos admite ceder. Enfim, quem sabe até o dia da votação esse quadro seja alterado.

No Morumbi, uma das lições que ficaram é a de que o São Paulo, como muitos dirigentes e torcedores chegaram a acreditar, não tem o poder de Midas_- aquele que transforma em ouro tudo o que toca. O belíssimo centro de treinamento de Cotia, que tantas críticas recebia do técnico Muricy Ramalho, sempre irritado com as recentes safras ruins, voltou a ser palco de polêmicas quando garotos passaram a recorrer à Justiça contra a diretoria. O caso mais emblemático foi o do meia-atacante Oscar, considerado o novo Kaká e que hoje defende o Inter-RS.

No Parque São Jorge, a diretoria corintiana percebeu que a presença de grandes jogadores no grupo tem, claro, pontos positivos, mas também causa problemas se não houver controle. Ao mesmo tempo em que as receitas mais do que triplicaram nos últimos dois anos (passaram de R$ 60 milhões para R$ 200 milhões), o clube viu o título brasileiro de 2010 escapar por entre os dedos. E tudo isso pelo simples fato de que alguns atletas não gostavam do estilo e das ideias do técnico Adilson Batista. Jogador, por mais renomado e vitorioso que seja, precisa ser sempre lembrado que não é dono do clube, mas sim funcionário.

Enfim, como um dos primeiros passos para resolver um problema é admitir sua existência, tomara que os clubes reflitam nesse final de ano e nos presenteiem com um 2011 muito melhor. Um grande Réveillon a todos!

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