Revelação brasileira deixa mito para trás

Potiguar de 20 anos destrona o supercampeão Kelly Slater e conquista a etapa de Imbituba do circuito mundial

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2010 | 00h00

IMBITUBA

O dia 29 de abril ficará marcado na história do surfe do Brasil. Às 14 horas de ontem, o esporte ganhou mais um grande ídolo. Jadson André, de apenas 20 anos, venceu a etapa brasileira do circuito mundial, na Praia da Vila, em Imbituba. Como se só isso não bastasse, bateu na final o maior nome da história da modalidade: Kelly Slater, nove vezes campeão do mundo. Jamais um surfista do País havia desbancado o mito americano numa decisão em território tupiniquim.

"Hoje (ontem) é o dia mais feliz da minha vida", declarou o brasileiro, disputando sua primeira temporada na elite do surfe, a terceira como profissional. "Sonhava em disputar o circuito mundial, ganhar uma etapa e bater o Kelly Slater numa bateria. Num único dia consegui realizar todos os meus sonhos."

Pela conquista, Jadson embolsa um prêmio de US$ 50 mil (R$ 86,6 mil) e ganhou 10 mil pontos no ranking mundial. Figura agora na quarta colocação da classificação, junto de nomes consagrados como o próprio Slater (1.º), o sul-africano Jordy Smith (2.º) e os australianos Taj Burrow (3.º) e Mick Fanning (bicampeão mundial, empatado em 4.º com o brasileiro). "Nem sabia que ficaria tão bem colocado com esse título, é uma surpresa", disse o potiguar, que treina nas ondas do Guarujá há nove anos e chegou a Santa Catarina na 13.ª posição. "Agora não posso ficar acomodado, foi difícil ganhar do Slater no Brasil e será ainda mais complicado fazer isso em Jeffreys Bay (África do Sul, próxima etapa, em julho)."

Quando o sol surgiu no sul catarinense, o potiguar passou a mostrar toda sua técnica nas águas da Praia da Vila e fomentar sonhos de quem permanecia com os pés na areia. Jadson estava com eles no ar, enfileirando manobras aéreas e utilizando com maestria as ondas de pouco mais de um metro que começaram a quebrar perfeitas em Imbituba desde quarta-feira - o campeonato ficou interrompido por dois dias no início da semana por falta de condições. "Havia machucado o pé na primeira bateria e estava um pouco nervoso com isso. Mas uma borboleta azul pousou no meu braço no primeiro dia do campeonato e pressenti que estava com sorte.''

A volta do sol e das boas ondas fez um fenômeno do surfe brasileiro florescer mais rápido até do que sua própria equipe imaginava - Adriano de Souza, o Mineirinho, era o favorito do País para vencer a etapa e chegar à liderança do ranking. Jadson transformou a areia da Praia da Vila em uma arquibancada improvisada e as águas do mar em um campo de futebol para se consagrar no maior nome do País na modalidade atualmente. A cada manobra, sentiu o arrepio de ouvir milhares de torcedores o incentivando. "Parecia estádio de futebol."

Astro se rende. O eneacampeão Kelly Slater reconheceu a superioridade do brasileiro em Imbituba. "Fiquei assistindo a ele surfar nas duas primeiras etapas e vi que seria difícil vencê-lo nestas condições do Brasil."

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