Revezamento do Brasil bate recorde

As equipes femininas do Brasil superaram as expectativas hoje no Mundial de Atletismo de Helsinque, Finlândia, nas provas de revezamento. Primeiro foi o 4 x 100 metros, com Raquel Costa, Lucimar Moura, Thatiana Ignácio e Luciana Santos: ficaram em quinto(43s07), o melhor resultado em provas femininas nas dez edições do Mundial (Maurren Maggi foi 7.ª em Edmonton/2001, no salto em distância). Depois foi a vez do revezamento 4 x 400 m, com Maria Laura Almirão, Geisa Coutinho, Josiane Tito e Lucimar Teodoro. Classificaram o Brasil para a final, com novo recorde sul-americano: 3min26s82. A marca anterior (3min28s07) rendeu ao grupo a medalha de bronze no Pan-Americano de São Domingos, em 2003. A decisão será neste domingo, último dia do Mundial, às 15h55 (horário de Brasília), no Estádio Olímpico. Será a primeira vez que o Brasil terá o revezamento 4 x 400 m numa final de Mundial. Ainda na pista (os EUA foram desclassificados e o Brasil assumiu o segundo na série, atrás da Inglaterra), as meninas comemoraram abraçadas. O tempo foi ótimo e a final olímpica estava garantida. "É o nosso presente do Dia dos Pais, quero agradecer todo mundo, nossas famílias, clubes, técnicos, Deus...", ia falando Maria Laura. "E a Amanda (Dias) também", referindo-se a reserva da equipe. "Sabíamos que aqui, contra adversárias fortes, podíamos fazer um bom tempo", acrescentou Laura, após parar de chorar, abraçada a Geisa. "A prova foi disputada, mas estávamos confiantes, sabíamos que seria dava para passar", acrescentou Geisa. O Brasil obteve o quarto tempo dentre as 16 equipes que disputaram as semifinais. As russas, com muita superioridade, fizeram a melhor marca hoje, com 3min20s32. A medalha de ouro no 4 x 100 m foi ganha pela equipe dos EUA (41s78), com Jamaica em segundo (41s99) e Bielorússia em terceiro (42s56). O Brasil ainda ficou atrás da França (42s85). Mas as integrantes 4 x 100 m estavam radiantes, duas delas estreantes em Mundiais adultos, Raquel, de 21 anos, e Thatiana, de 23. Ambas começaram a praticar atletismo na escola. Raquel na José de Anchieta, no Rio, aos 10 anos, e Thatiana na Prof. Otávio César, de São Vicente, aos 7 anos - ainda integrou o Projeto Velo, que promovia corridas de 50 m entre meninas na rua. Raquel se inspirou na americana Marion Jones e Thatiana no brasileiro Sanderlei Parrela, medalha de prata nos 400 m no Mundial de Sevilha (1999). "Mas eu já sabia que não queria correr 400, uma distância muito grande para mim. Mas gostava dele, que é de Santos." Lucimar de Moura, de 32 anos, que foi 11.ª nos 200 m e 12.ª nos 100 m, ainda fechou o Mundial com o quinto lugar no revezamento, disse que essa foi uma de suas melhores temporadas e elogiou a equipe. "É um excelente grupo, que ainda tem uma corredora mais nova, a Franciela (Krasucki), na reserva", disse. Acredita que as meninas, que vem de Mundiais Menores e Juvenis, ainda podem crescer muito. A equipe lamentou o pouco entrosamento que ainda há entre elas. Raquel explicou que essa foi apenas a segunda competição que fizeram esse ano - antes dessa correram o Sul-Americano (perderam da Colômbia, seleção que derrotaram hoje). Outra veterana, Luciana, de 35 anos, disse que tem "uma satisfação muito grande em ver essas meninas crescendo". Luciana é do tempo em que as mulheres ficavam muito distante das equipes masculinas no Brasil.

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