Revezamento do Brasil não se vê favorito

O técnico Jayme Neto Júnior não se importa - e até prefere, na verdade - que os adversários não considerem o revezamento 4 x 100 metros do Brasil um time perigoso. O Brasil ocupa a oitava posição do ranking mundial. "Quero mesmo que as pessoas pensem que não estamos correndo bem. Deixa que pensem assim", disse Jayme. O revezamento será nos dias 27 (qualificatória) e 28 (finais). Apesar de não fazer questão de ser incluído entre os favoritos, o treinador disse que a equipe está pronta, bem preparada, e pode ganhar medalha. O treinador ainda não confirmou a escalação da equipe para a prova. Terá uma semana para tomar a decisão.Duas peças já estão encaixadas e não serão mexidas - André Domingos será o terceiro corredor e Vicente Lenílson fecha o revezamento. Cláudio Roberto dos Santos também está entre os titulares, mas ainda não sabe se abrirá a prova fazendo a largada ou se será o segundo homem do time. Tudo depende da decisão de Jayme Neto entre Edson Luciano Ribeiro, um corredor experiente, e Jarbas Mascarenhas, um estreante.Edson participou dos revezamentos de bronze, nos Jogos de Atlanta/1996, e de prata, em Sydney/2000 e da conquista do vice-campeoanto mundial em Paris, no ano passado, com 38s20. "O Edson é muito forte correndo lançado e tem muita experiência. Mas no camping da Espanha apenas treinou, não correu. Nessa semana, de polimento, com os testes aqui vamos decidir se entra ele ou o Jarbas."O novato Jarbas Mascarenhas tem melhor tempo que Edson, mas é inexperiente na passagem do bastão, um momento extremamente delicado na corrida. Assim, se Jarbas correr será o primeiro, abrindo, para que Claudio pegue o bastão e passe para André, um especialista em curvas.Rivais - No Ibero-Americano de Huelva, Espanha, no início desse mês, Jayme, inclusive, colocou na pista uma formação que certamente não vai correr em Atenas - Cláudio Roberto de Souza, Jarbas Mascarenhas, Vicente Lenílson e André Domingos - e mesmo assim venceu. Mas o Ibero não tinha a participação dos favoritos norte-americanos, que conseguem reunir quatro corredores que têm tempos individuais abaixo de 10 segundos. "Apesar de acharmos que as suspeitas de doping poderiam enfrequecer o time americano isso não é verdade. Nas seletivas, pelo menos quatro foram muito rápidos. Terão um time melhor do que em Sydney e são os favoritos", analisou Jayme que, no entanto, não descarta a possibilidade de o Brasil brigar pelo ouro, confiando no fato de que os norte-americanos também correrão, individualmente, os 100 e 200 metros, fazendo cerca de nove provas, entre eliminatórias, semifinais e finais antes do revezamento.Mas se os americanos podem chegar cansados, não são os únicos rivais no revezamento. Jayme acentua que Jamaica, Japão, Nigéria também estão muito fortes. "Os jamaicanos também têm quatro corredores que podem fazer 100 metros em menos de 10 segundos e os japoneses estão muito bem treinados. Os nigerianos são bons velocistas."

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