Revezamento: sonho virou pesadelo

O técnico do revezamento 4 x 100 metros do Brasil, Jayme Netto, mal conseguiu dormir de domingo para segunda-feira, após a desclassificação do seu time na disputa da final do Mundial de Atletismo, em Edmonton, no Canadá. "Sonhei a noite inteira com o bastão caindo no chão", contou Netto. A equipe brasileira, Cláudio Souza, Edson Luciano, André Domingos e Claudinei Quirino, não completou a prova por causa de um erro na passagem do bastão do segundo para o terceiro homem (Edson para André). "O André chegou a pegar o bastão, mas o deixou cair", explica o treinador.A prova foi vencida pelos Estados Unidos, com a marca de 37s96. A África do Sul ficou em segundo (38s47) e Trinidad e Tobago (38s58), em terceiro. "Na passagem do bastão, estávamos à frente dos Estados Unidos uns dois metros. E a segunda parte do nosso revezamento, com André e Claudinei, é a mais forte." O treinador acredita que o Brasil conquistaria a medalha de ouro, ainda inédita para o país. "Tínhamos condições de correr abaixo dos 37s80. Além de ser a segunda melhor marca da história, seria recorde sul-americano." O recorde mundial, de 1992, pertence aos norte-americanos (37s40). A melhor marca sul-americana é de 37s90, estabelecida pelo Brasil, medalha de prata na Olimpíada de Sydney, em 2000.Essa é a primeira vez na história do time que o bastão cai em um torneio. "A falha até que é comum. Aconteceu com Cuba e Inglaterra no Mundial", observa Netto. "O mais difícil eles conseguiram fazer, que é ver o corredor se aproximando e ter a sensibilidade de saber a hora exata de largar e não sair da zona de passagem. O frustrante é que ganharíamos medalha com certeza."Netto conta que os atletas estavam arrasados após a corrida, domingo à noite. Só conversou com a equipe nesta segunda-feira. "Tenho a esperança de conquistar esta medalha em uma nova circunstância. Com todos eles em plena forma física." O treinador refere-se a atípica temporada. Claudinei, por exemplo, teve várias contusões no ano e só voltou a correr sem dores no final do Mundial. E os Estados Unidos estavam com um supertime: Mickey Grimes, Bernard Williams, Dennis Mitchell e Tim Montgomery.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.