Revolta com valor da indenização une ameaçados

Reclamação comum é que dinheiro a ser pago pela desapropriação é insuficiente para manter 'nível alcançado'

Angela Lacerda, Anna Ruth Dantas, Carmen Pompeu e Elder Ogliari, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

Em Porto Alegre, cerca de 4,5 mil famílias, ou 15,3 mil pessoas segundo estimativa da própria prefeitura, podem ter de mudar de endereço por conta das obras de mobilidade de ampliação do aeroporto Salgado Filho, necessárias para a Copa do Mundo. Indenizações, aluguel social ou bônus-moradia de R$ 45 mil são opções oferecidas pelo poder público. Mas há insatisfações.

Os temores daqueles que correm risco são vários, entre serem deslocados para bem longe do local que habitam atualmente. "Dos 20 terrenos que prospectamos (para recolocar famílias), 17 ficam no mesmo bairro"", tenta tranquilizar o diretor-geral do Departamento Municipal de Habitação, Humberto Goulart.

Preocupação que a prefeitura de Natal não demonstra ter com os proprietários de 600 imóveis que, segundo estimativas, serão removidos para as obras de mobilidade urbana. "Vamos desapropriar. Não há programa de relocação das famílias. Essas pessoas receberão o dinheiro referente à desapropriação"", avisou o secretário municipal de Obras Públicas, Dâmocles Trinta. Foram reservados R$ 25 milhões para indenizações.

A incerteza também predomina em Fortaleza, onde ao menos 14 mil pessoas correm risco. E um dos motivos principais é o mesmo de outras cidades: o valor a receber. "Que desapropriem eu concordo, mas que ofereçam o preço justo"", pede Carlos Roberto do Nascimento, dono de uma pizzaria, preocupado porque a outros comerciantes o valor ofertado foi considerado "irrisório"". O governo se defende, argumentando que os cálculos são feitos com base em critérios técnicos.

A única cidade em que parece não ter ocorrido grande desgaste com desapropriações foi São Lourenço da Mata, vizinha ao Recife. Lá quase todos os 1,4 mil desapropriados concordaram com as indenizações, cujos valores variaram de R$ 2,6 mil a R$ 1 milhão (pagos a uma instituição religiosa), efetuadas para que possa ser erguida a Arena Pernambuco e a cidade da Copa.

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