Revolta no adeus da ginástica

Diego e Daniele Hypólito e Jade Barbosa são obrigados a deixar o clube, que está sem caixa

Bruno Lousada, O Estadao de S.Paulo

24 de janeiro de 2009 | 00h00

A coletiva realizada durante boa parte do tempo sem energia elétrica tornou mais melancólica a despedida de Diego Hypólito do Flamengo. Ontem à tarde, o ginasta saiu da reunião com o presidente do clube, Márcio Braga, extremamente abatido e com a certeza que seu ciclo na Gávea chegou ao fim. Não por opção própria. Para ele, houve um descaso da diretoria em tentar mantê-lo com a camisa rubro-negra. "Não acabou a ginástica, mas fecharam as portas para a gente", declarou Diego. "Foi uma facada muito grande. Sinto-me desvalorizado", desabafou o bicampeão mundial. O clima de tristeza já contagiava o trio formado por ele, a irmã, Daniele, e Jade Barbosa, antes da reunião. Antecipando a despedida, Jade chorou antes do encontro. Marcio Braga foi categórico em afirmar que não vai renovar os contratos dos três atletas, que expiraram em dezembro, se não conseguir ao menos um patrocinador para a modalidade. Disse que os ginastas poderiam permanecer sem receber pagamento enquanto o clube busca uma solução, mas todos estariam livres para negociar com outros clubes.Diego resumiu a sensação de abandono. "Não é uma fortuna o que a gente ganha. Sei que é difícil a situação, mas manter três atletas é muito pouco para a dimensão de um clube como o Flamengo", emendou. "É um absurdo termos de provar que somos atletas do Flamengo."Segundo ele, é impossível manter o alto padrão sem contar com um mínimo de estrutura, como médico e treinador. "Infelizmente não fui campeão olímpico. Talvez se tivesse sido, hoje as coisas seriam diferentes", lamentou o ginasta."Já passei por muita situação difícil, mas não quero voltar a não ter o que comer em casa. A Jade tem vindo treinar de ônibus." Durante todo o desabafo de Diego, o presidente Marcio Braga esteve cabisbaixo, totalmente constrangido. "Patrocínio não aparece tão rápido. Saco vazio não para em pé." Diego diz que vai continuar treinando na Gávea até que sua situação esteja definida, mas considera um absurdo a sua condição atual. "Não existe demonstração de amor se não há amor pela gente", disse. "Eu posso ser muito burro, mas aqui a gente está de favor", declarou. Antes da reunião, perto do ginásio onde Diego treina há 13 anos na Gávea, a mãe do ginasta, dona Geni, tirou o escudo do Flamengo fixado na camiseta do filho. Diego, então, argumentou: "Mas o da Dani vai aparecer." Dona Geni rebateu de primeira: "Mas a sua não." Crias do Flamengo, Jade, Diego e Daniele deixaram a Gávea às escuras e sem rumo certo.

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