Rexona sai mas projeto será mantido no PR

O vôlei paranaense sofreu um grande abalo. Depois de ser eliminada por Osasco na semifinal da Superliga Feminina de Vôlei, a equipe profissional do Rexona-AdeS foi embora de Curitiba, onde estava desde 1997. A decisão foi da Unilever do Brasil, patrocinadora do clube, que pretende iniciar a nova temporada em um local a ser definido, provavelmente Rio de Janeiro ou interior de São Paulo. A saída do Rexona foi lamentado por torcedores e dirigentes, mas deve determinar um novo rumo no vôlei paranaense. A equipe profissional, campeã duas vezes da Superliga Feminina, foi lançada em 1997 juntamente com o então denominado Centro Rexona de Excelência do Voleibol, cujo projeto social coordenado pelo técnico da seleção brasileira, Bernardinho, em parceria com o governo do Estado, atendeu 12 mil crianças de 7 a 14 anos desde sua criação, em 20 núcleos de ensino espalhados em 18 municípios do Paraná.Mesmo com a mudança de sede, o projeto continuará, mas perderá seu principal ponto de referência. Segundo a coordenadora de Núcleos do Centro Rexona-AdeS de Voleibol, Dôra Castanheira, a saída do time profissional provocou duas reações distintas. "As crianças que estão no projeto há mais tempo irão sentir mais, pois criaram um vínculo maior com as atletas, que as viam quase diariamente. Outras crianças, no entanto, que não tiveram muito contato terão uma reação diferente, menos emotiva", disse.Segundo ela, esse vácuo criado dará um impulso para os clubes locais crescerem e ocuparem esse espaço. "Há um movimento e interesse maior dos clubes em busca de atletas para a formação de suas equipes. Isso mostra que o nosso trabalho, que é o de fomentar o esporte, está dando certo", avaliou.Para Vilma Batista Justi, 46 anos, levará um tempo para se acostumar com o final do vôlei profissional, que levava cerca de dois mil torcedores durante os jogos da Superliga, sendo cerca de cinco mil nas fases decisivas. Mãe da aluna Nilciane Justi, 15 anos, que freqüenta as aulas do núcleo Tarumã, em Curitiba, ela acompanhava todos as partidas. "Além de torcermos bastante, as meninas eram atenciosas e serviam de exemplo para nossas filhas. Gostaria que o time continuasse mais um tempo", lamentou.Segundo um comunicado da Unilever, a empresa tomou a decisão como estratégia de ampliar o trabalho social em outras cidades do País. O presidente da Paraná Esporte (autarquia parceira do projeto), Ricardo Gomyde, afirmou que com a saída do Rexona-AdeS de Curitiba, o projeto terá maior apoio do governo estadual e sua ampliação nos próximos anos."O esporte deve ser usado como forma de educar, manter as crianças longe das drogas e isso nós apoiamos em diversos projetos, mas o governo não pode opinar sobre uma decisão tomada pela iniciativa privada", explicou.

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