Ricardinho "abobado" com elogios

eceber um elogio de Bernardinho vale mais um ouro. O treinador prefere sempre destacar a força de um time a falar de um ou outro jogador como destaque. E ainda sabe que no alto nível do esporte mundial só trabalhando muito, cada dia um pouco mais, é possível manter um padrão de excelência, de resultados. Daí que Ricardinho não acreditou ("Meu Deus, ele disse isso??!!") quando informado que o técnico havia destacado o brasileiro como o maior levantador do mundo, "mas de muuuuiiito", para os jornalistas - apesar de já emendando que havia avisado seu atleta que é preciso trabalhar sempre, para sempre melhorar. "Estou meio abobado, meu Deus do céu. Estou muito feliz e agradeço muito a ele, que respeito acima de tudo como homem, muito mais que como técnico." Além das jogadas inventadas por Marcelinho e o técnico, que passam por testes, ajustes para desorientar o bloqueio adversário, essa variedade de ataque funciona também como pressão psicológica, para deixar os jogadores do outro lado da rede preocupados e inseguros. Com todas as armas que inventa e aprimora, Bernardinho chegou com sua "família", como chama a equipe - que no pódio homenageou Henrique, o 13º jogador - a 130 vitórias em 145 jogos, 12 títulos em 15 torneios, 14 finais e um terceiro lugar. Coerente, o treinador disse que não trocaria tudo isso por uma medalha de ouro, como chegaram a perguntar, porque o sucesso vem de trabalho consistente - justamente desses quatro anos de história, da confiança entre atletas e comissão técnica e muita superação. De treinar em aeroportos, estacionamento de hotéis, estudar vídeos, CDs. E trabalhar com dores. "Eles são meus maiores ídolos hoje", falou Bernardinho sobre seus jogadores. "Vocês podem ver que são homens de couro rijo, daquele curtido no sol do Nordeste, mesmo." Giba resumiu o sentimento do grupo, depois de subir correndo a arquibancada par abraçar o amigo de infância Dêga, de Curitiba: nenhuma comemoração havia sido combinada antecipadamente. O foco era a Itália. O levantador Maurício, bicampeão olímpico como Giovane, disse se sentir tão feliz como em Barcelona/92, ainda mais porque "o grupo merece a medalha, somando talento e trabalho". Giovane lembrou de dedicação e humildade, de aprender com erros (depois do ouro em 1992, a Seleção foi quinto e sexto lugares nas Olimpíadas seguintes, em Atlanta/96 e Sydney/2000). Agora, os jogadores terão folga das "bronquinhas" que o próprio Bernardinho admitiu que dá. Será dividido o prêmio da Conferação Brasileira de Vôlei de R$ 2,28 milhões (como o combinado, seria metade para os rapazes e metade para as garotas, no caso de ouro, ou tudo para a Seleção que fosse campeã), assim como marcado um jogo comemorativo no Mineirão ou no Maracanã. Os atletas? Querem que seu treinador fique para o próximo ciclo olímpico, até Pequim/2008. Bernardinho só disse que vai conversar com a família, a comissão técnica e os próprios atletas.

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