Ricardo e Emanuel fazem escala dourada no Pan-Americano

Ricardo e Emanuel passaram maistempo no vôo da Alemanha para o Rio de Janeiro do que em açãonas areias de Copacabana durante as cinco partidas que venceramaté a conquista da inédita medalha de ouro para o vôlei depraia masculino do Brasil em Jogos Pan-Americanos. A viagem ao Rio dos atuais campeões olímpicos e mundiaisrepresentou uma pausa na temporada do Circuito Mundial, em queeles lutam pelo bicampeonato e também pela vaga na Olimpíada dePequim-2008. Sem adversários à altura nas areias cariocas, elestiveram que fingir estar ainda na Europa para não perder oritmo da bem mais difícil temporada internacional. A viagem de volta à Europa acontece ainda neste domingo,pois na terça-feira, às 9h da manhã no horário suíço, a equipeestréia na Copa do Mundo de Gstaad, umas das etapas maisimportantes do Circuito. "Tentamos nos manter no fuso horário de lá. Acordamos todosos dias às 5h da manhã, tomávamos café às 6h e de noite íamosdormir às 20h. Esse foi o sacrifício que tivemos de fazer parachegar a esta medalha que é tão importante para nós," disse ajornalistas o paranaense Emanuel, de 34 anos. "De manhã nossa cabeça estava no Pan quando jogávamos aspartidas, e à tarde treinamos como se estivéssemos na Europa,"acrescentou o jogador, lembrando que o Comitê OlímpicoBrasileiro (COB) havia pedido desde o ano passado que asprincipais duplas vôlei de praia do país disputassem oPan-Americano, apesar de prejudicar o processo de classificaçãoolímpica. De Berlim, onde perderam na terceira rodada do Grand Slamlocal na semana passada, até a capital do Pan-Americano, adupla levou 12 horas de viagem, apenas um quarto dos 181minutos somados das partidas vencidas na Arena de Copacabana. Por ser em casa, o ouro pan-americano chegou a sercomparado ao título olímpico por Ricardo, grande responsávelpela vitória brasileira sobre os norte-americano Stolfus eLoomis na final deste domingo graças ao saque potente. Muitos familiares dos jogadores acompanharam as partidas emCopacabana, algo muito raro de acontecer já que apenas umaetapa do Circuito Mundial acontece no Brasil a cada ano. "Vejo como um título tão importante quanto o dos JogosOlímpicos, especialmente por ser o único que faltava para onosso esporte e por ser no Brasil, no Rio de Janeiro, onde ovôlei de praia surgiu," afirmou Ricardo, de 32 anos, que nasareias cariocas conquistou seu primeiro título internacional,em 1998, ao lado do então parceiro Zé Marco. Os novos campeões do Pan consideram mais difícil aclassificação para os Jogos do que a conquista do ouro. A duplabrasileira que disputaria o Pan seria a mais bem colocada noranking mundial deste ano, e os dois travaram uma dura batalhacom os compatriotas Fábio-Márcio e Pedro-Franco. "Se hoje somos campeões do Pan é porque um ano e meio atrásplanejamos estar aqui, porque sabíamos que o processo declassificação com as outras duplas brasileiras seria muitodifícil," disse Ricardo, acrescentando ter ficado surpreso coma boa exibição dos norte-americanos no primeiro set da final. "Eles começaram jogando muita bola e criaram dificuldades.Eles estavam virando com facilidade todas as bolas que nóssacávamos. A vitória veio graças à nossa maior experiência,"afirmou. Emanuel, que após a Olimpíada de Atenas, em 2004, ofereceusua medalha de ouro ao maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima,que havia sido atacado por um manifestante quando liderava aprova e acabou com a medalha de bronze, escolheu desta vez ojudoca Flávio Canto para dedicar sua conquista. Canto sofreu uma contusão durante luta no sábado e foiobrigado a desistir do Pan. "Ontem mesmo pensei em ligar para o meu amigo Flávio Canto.Quero dizer que estou com ele e acredito muito no trabalhodele. É hora de dar força para um grande guerreiro," disse.

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