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'Rio 2016 talvez só como técnico', diz o mesa-tenista Hugo Hoyama

Atleta brasileiro que mais disputou Olimpíadas acha improvável disputar próximos Jogos

Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

22 de março de 2013 | 17h45

RIO - Atleta brasileiro que mais edições disputou de Jogos Olímpicos - seis, ao lado de Torben Grael -, Hugo Hoyama não sabe mais se vai disputar a Olimpíada do Rio, em 2016. Agora técnico da seleção brasileira feminina de tênis de mesa, ele contou ao Estado que “está bem mais propenso a participar em 2016 só como técnico”. O mesa-tenista de 43 anos, no entanto, continua treinando, ao menos por ora.

Hoyama foi realista quanto à chance de medalha do Brasil em 2016 no tênis de mesa: “Muito difícil, principalmente no feminino”. Ele almeja conseguir ficar pelo menos entre as dez seleções melhor colocadas, o que seria inédito para o País. Esta semana, ele conquistou seu primeiro título como técnico: a seleção feminina conquistou medalha de ouro no Campeonato Latino-americano por equipes, em El Salvador.

Você já descartou disputar como jogador os Jogos de 2016?

Não é que descartei totalmente, mas estou bem mais propenso a participar em 2016 só como técnico. Mas este ano vou continuar treinando e jogando alguns torneios. Meu contrato com a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) é para alguns dias do ano com a seleção feminina, não por um período integral. É uma maneira nova de trabalhar e para mim será muito bom.

E por que decidiu aceitar o convite da CBTM para se tornar técnico?

Tive uma primeira conversa com a CBTM. Depois, o Jean-René Mounie (técnico da seleção masculina) conversou comigo e me disse que eu poderia ajudar muito o tênis de mesa brasileiro. Então, vi que estava realmente na hora de eu poder passar essa ajuda. Além disso, fiz um contrato muito bom com a CBTM. Sei que posso continuar ajudando o tênis de mesa. Agora, como técnico, poderei também trabalhar mais para meu instituto Hugo Hoyama, cujo foco é colocar o tênis de mesa nas escolas e também o alto rendimento, com apoio das prefeituras e do ministério do Esporte.

Como está sendo a transição de jogador para técnico?

Como essa foi minha primeira vez, e num torneio importante, não foi fácil. No dia em que chegamos lá e as meninas começaram a treinar, me deu aquela vontade de participar também, mas acho que é normal. Coloquei na minha cabeça que, já que estou como técnico, vou poder ajudar. Foi importante conquistar esse título, embora para mim fosse mais ou menos uma obrigação.

Por quê?

Porque nessa competição o Brasil é sempre favorito. Eu sempre coloquei objetivos na minha carreira e ganhar aqui em El Salvador foi o primeiro como técnico. Sempre fui treinado assim, desde criança: ganhar era uma obrigação, sempre tive esse tipo de pressão sobre mim.

A mudança é recente, mas como você definiria seu estilo como treinador? Cobra muito ou é mais paciente?

Acho que estou no meio. Tem hora para ter paciência, ser mais duro e cobrar mais, isso vou adquirir no decorrer dos torneios. O bom é que conheço todas as meninas, a maioria das adversárias. Nesse torneio, já aconteceu de tudo. Tive de apoiar, de cobrar e dar bronca. Acho que o principal de tudo com as meninas é a parte psicológica, a motivação. Quanto mais motivadas estiverem, melhor vão jogar.

O tênis de mesa brasileiro tem chance de medalha em 2016?

É muito difícil, principalmente no feminino. Mas passo a passo vamos tentar elevar o nível, a posição das meninas no ranking. Meu principal objetivo é brigar por medalha no Pan de 2015, até hoje nunca conseguimos isso no feminino. Não quero tirar a confiança das meninas, mas lutar por medalha é muito difícil, principalmente por causa das chinesas. No masculino, acho que temos chances, mas também é difícil.

Você tem uma meta para a seleção feminina em 2016?

Ainda não sei como será o sistema da competição, mas ficar entre as dez melhores já seria um excelente resultado, nunca conseguimos isso.

Os investimentos públicos no tênis de mesa aumentaram nos últimos anos?

Melhorou, tanto é que o Gustavo Tsuboi já está treinando na França há dois, três meses. Para este ano, temos uma programação que inclui vários treinos e competições importantes, já é um primeiro caminho. Não é só ir nos campeonatos e competir, temos de pensar nos treinamentos, também.

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