Rio celebra o Maracanã, que vai reviver uma final de campeonato

Estádio passará por novas obras, ao custo de R$ 430 milhões, para chegar em 2014 em condições de abrigar nova final

Sílvio Barsetti, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

Há um acordo silencioso entre todos os setores do futebol - do Sobrenatural de Almeida, criação de Nelson Rodrigues, ao espírito mais poderoso do futebol brasileiro, personalizado na figura de Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) - de que o Maracanã deve ter uma segunda chance. Deve e terá, com o aval, claro, da Fifa, parceira e coadjuvante da CBF na definição das 12 cidades que vão ser sede da Copa do Mundo de 2014.Para os nostálgicos ou os filhos e netos dos que se espremeram entre 200 mil pessoas, no domingo, 16 de julho de 1950, e deixaram o Maracanã com os corações adormecidos, como ursos verde-amarelos em estado de hibernação, minutos após a maior tragédia esportiva sofrida pelo Brasil - para esses abnegados torcedores, patriotas ou não -, é chegada a hora de uma contagem regressiva que vai durar cinco anos e poderá marcar outras gerações.O Maracanã, reformado, vistoso e deslumbrante, estará novamente a serviço dessa catarse que é uma final de Copa do Mundo. Melhor ainda se entre os dois finalistas estiver o dono da casa, o anfitrião garboso com a beleza de uma das maiores obras do futebol mundial.Imaginar o Brasil na disputa do título não é mero exercício de ficção. Afinal, é a única seleção até agora com cinco conquistas mundiais. Difícil é acreditar que do outro lado esteja o Uruguai, com a família de Ghiggia, o autor do gol derradeiro de 1950, erguendo bandeiras celestes e entoando cânticos provocativos num espaço reservado da arquibancada. Mas nada é impossível.A começar pelo custo de todo esse gigantismo previsto para o novo Maracanã. Seriam mais R$ 430 milhões para adaptá-lo às exigências da Fifa. Antes, os cofres públicos derramaram R$ 150 milhões para adequá-lo ao Pan-Americano de 2007. E não é que, desde 1999, com várias outras intervenções, o estádio consumiu mais uma quantia razoável - outros R$ 150 milhões.O Maracanã merece mais uma decisão de Copa, homenagem a todos os craques que ajudaram a torná-lo famoso. Merecia também gestões equilibradas e transparentes.

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