Rio deve apostar na marca Brasil por sucesso olímpico, diz Blair

A Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro são uma chance única de promover a marca Brasil e garantir um legado de benefícios econômicos e sociais, disse o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair nesta sexta-feira.

STUART GRUDGINGS, REUTERS

29 de abril de 2011 | 14h58

Apesar de recentes estouros orçamentários em cidades-sede de Olimpíadas e das críticas pelo custo cada vez maior de se organizar eventos esportivos, Blair disse que sediar essas competições é um investimento recompensador pelos benefícios sociais e econômicos que podem trazer.

"É uma oportunidade tremenda, é por isso que as pessoas competem tão duramente para receber a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos", disse Blair, que teve papel decisivo na vitória de Londres na disputa pelos Jogos de 2012, durante o Fórum Econômico Mundial sobre América Latina, no Rio.

"Você pode usar a Olimpíada como uma plataforma econômica para atrair uma grande variedade de negócios e investimentos que surpreendentemente podem ir além dos eventos esportivos."

O Rio, provável palco da final do Mundial de 2014 e a sede dos Jogos Olímpicos dois anos depois, planeja realizar grandes obras de infraestrutura, incluindo a ampliação do metrô e um novo projeto de ônibus expressos que o governo espera ajudar a resolver o problema do trânsito na cidade.

Blair acrescentou, em um painel de discussão, que o Brasil precisa pensar além da infraestrutura e tentar usar os eventos esportivos globais para construir uma marca internacional, como Barcelona fez na Olimpíada de 1992.

Assim como os Jogos de Pequim 2008 simbolizaram a chegada da China como uma potência global, os Jogos do Rio -- os primeiros da história na América do Sul -- devem elevar o Brasil a um novo nível.

"É sobre o país propriamente dito, sua personalidade, sua natureza, a forma como está aparecendo no mundo. É por isso que essa oportunidade dupla representa uma chance inédita para o sucesso da marca do país interna e externamente", disse Mark Penn, CEO da empresa de relações-públicas Burson-Marsteller.

Blair reconheceu que nem todas as cidades olímpicas tem um legado tão positivo. Para cada Barcelona e Pequim, há uma Montreal ou Atenas, que não conseguiram obter ganhos a longo prazo.

No Rio, grande parte da atenção da mídia está voltada para os problemas sociais da cidade, principalmente a pobreza e violência nas favelas espalhadas pela cidade.

"Olhamos para os eventos esportivos como um catalisador", disse o secretário estadual de Fazenda Renato Augusto Villella, acrescentando que os projetos de transporte vão reduzir os impactos da desigualdade na cidade.

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