Rio só foi melhor do que Havana e Istambul

Apesar de os membros da delegação do Rio de Janeiro na Suíça insistirem que o projeto da cidade carioca era de bom nível, as notas dadas pelo grupo de especialistas do COI indicam que a candidatura brasileira foi a terceira pior e conseguiu superar apenas a de Istambul e de Havana. Falta de hotéis, problema com transporte, falta de viabilidade financeira do País e a falta de segurança foram apontados como os principais obstáculos para a campanha do Rio. A classificação final acabou liderada por Paris. "Em termos de segurança, o Rio não atingiu o nível exigido", afirmou Gilbert Felli, diretor executivo do COI.A decisão do COI foi tomada por dez membros do comitê executivo da entidade. Mas em um relatório que serviu de base e que foi feito a partir de fórmulas matemáticas que são usadas pelos serviços militares da Europa, o Rio está distante das cidades que foram classificadas.Para que fosse considerada, a cidade teria que ter obtido uma média de 6 em uma escala de zero a dez. O Rio recebeu notas entre 4,3 e 5,1.No que se refere à rede de transportes, o COI diz que o sistema carioca é "limitado" e que os projetos previstos pelo Brasil seriam "custosos e difíceis"."Se a infra-estrutura de transporte proposta para 2012 fosse executada, o conceito apresentado seria satisfatório na teoria. Mas a previsão de que o Rio vai conseguir implementar um sistema duplo de transporte (autovias e trens de alta-velocidade) em apenas sete anos parece otimista demais", alertou o COI, que classifica vários projetos da cidade de "irrealistas" e deu notas entre 3,6 e 5,7.No quesito segurança, o COI deu uma das piores notas ao Rio, entre 3,9 e 4,8. A entidade ainda apontou que a cidade precisaria investir em "novas tecnologias" para criar uma infra-estrutura para segurança. "Mas o tempo para reequipar, treinar e implementar esse sistema deve ser insuficiente", afirma o documento.Agnelo Queiroz, ministro dos Esportes, insistiu que a questão da segurança não foi determinante na avaliação do Rio. "A principal preocupação do COI deveria ser com os países onde existe risco de terrorismo. Nosso problema é localizado e sabemos onde está", afirmou, lembrando que o Rio contou com consultores australianos para montar seu plano de segurança. Mas Gilbert Felli, diretor do COI, afirma que a entidade não olhou apenas para os risco de terrorismo, mas a "competência técnica" dos países e a complexidade do local que terá que ser assegurado.Outro problema foi o número de quartos de hotéis, que foi considerado como "bem abaixo do volume necessário". Com atualmente 19,1 mil quartos, o Rio previa novas obras, mas o COI acredita que causariam transtornos. Outro problema foi a concentração na Barra de locais para as competições, o que colocaria o risco de gerar "grandes dificuldades operacionais".Para completar os problemas do Rio, o COI decidiu tomar os ratings financeiros da Moody´s, agência de consultoria internacional, como parâmetro para avaliar a questão de viabilidade financeira do País. Com um dos ratings mais baixos entre os países em desenvolvimento, o Brasil acabou posicionado junto com Havana nas duas últimas colocações.

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