Anja Niedringhaus/AP
Anja Niedringhaus/AP

Rio tem última chance de convencer os membros do COI

Delegações das cidades candidatas se encontrarão com membros da entidade nesta quarta em Lausanne

Jamil Chade - O Estado de S. Paulo,

16 Junho 2009 | 17h40

Café da manhã com um delegado do COI (Comitê Olímpico Internacional), jantar com outros e inúmeras conversas nos corredores e bares de luxuosos hotéis. Nos últimos dias, a delegação da candidatura do Rio de Janeiro para 2016 usou cada minuto possível em Lausanne para convencer os membros do COI a votar pela cidade. Já para a imprensa internacional, a estratégia é uma verdadeira operação sedução.

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A tática da delegação foi a de dividir esforços. Cada um dos membros da candidatura ganhou uma lista com o nomes das 107 personalidades do COI que tem direito ao voto. Sérgio Cabral, governador do Rio, o prefeito Eduardo Paes, o presidente do COB, Arthur Nuzman, e o ministro dos Esportes, Orlando Silva, receberam dos estrategistas da candidatura uma lista de quem deveriam concentrar seus esforços para obter votos.

A divisão de trabalho foi baseada no perfil de cada um dos membros da delegação e dos alvos do lobby. Na segunda-feira pela noite, a delegação brasileira promoveu um jantar para membros do COI de origem africana, tentando explicar porque deveriam votar pelo Rio. A estratégia do País é a de buscar votos nos países onde a política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem maior impacto.

As delegações das quatro cidades foram recomendadas a não chegarem perto do hotel onde estão os membros que votam. O COI viveu um grande escândalo nos anos 90, quando foi descoberto a compra de votos que garantiram a escolha de Salt Lake City para sediar os Jogos de Inverno. Na ocasião, foi descoberto que cidades enviaram prostitutas aos quartos dos membros do COI.

LOBBY

Para oficializar o lobby e tentar impedir subornos, o COI decidiu neste ano organizar uma reunião entre as delegações e os membros que votam. O encontro será nesta quarta, mas isso não vem impedindo uma ação maior por parte das cidades. Cabral, Paes e Orlando Silva estão na Suíça desde domingo passado, ensaiando a apresentação e multiplicando encontros.

Já o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, se apresentará como o "fiador" da candidatura do Rio. Ele tentará convencer os eleitores de que o Brasil é um País estável e que tem dinheiro para bancar os Jogos. "Vamos mostrar que temos capacidade econômico de financiar os Jogos", disse Orlando Silva.

"Madri, Chicago e Tóquio tem a capacidade de organizar os Jogos. Mas a diferença é que agora o Rio também pode", disse Cabral. Eduardo Paes ainda insistiu aos jornalistas estrangeiros que realizar a Copa em 2014 não será um obstáculo em termos de investimentos, mas uma vantagem.

Em uma operação sedução em um luxuoso hotel à beira do lago Lemán, o Rio distribuiu aos jornalistas brindes, comida e ainda mostrou um vídeo com imagens das praias e cenários da cidade, ao som do samba. Quase nada foi dito em relação ao conteúdo técnico do projeto.

Chicago e Madri sequer organizaram conferências de imprensa nesta terça, enquanto a candidatura de Tóquio apenas realizou um encontro simples em volta de uma mesa com as autoridades japonesas.

Enquanto cada cidade tentará provar nesta quarta que é a melhor para sediar os Jogos, o Rio onde ganhou um aliado inesperado. Um grupo de americanos entregou ao COI informações alegando que Chicago não tem condições de sediar o evento. "Não queremos os Jogos em Chicago. O país está em crise e não temos dinheiro para isso. Os recursos devem ser usados para outras coisas", afirmou Tom Tresser, líder do movimento 'No Games' em Chicago.

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