Rio usa Ginástica como vitrine

A terceira etapa da Copa do Mundo no Rio, desta sexta até domingo, foi "cuidadosamente" planejada para os atletas nacionais brilharem e os dirigentes brasileiros mostrarem sua eficiência na organização de eventos. A escassez de estrelas do esporte e os poucos participantes inscritos é uma oportunidade valiosa para ginastas como Daniele Hypolito ressurgirem no cenário internacional e para o País formar uma "imagem" ante à comunidade estrangeira. Por causa do início do campeonato europeu, daqui a três semanas, na Holanda, os principais ginastas do continente optaram por não vir ao Brasil. Sem as estrelas estrangeiras, o caminho para os atletas brasileiros até o pódio ficou facilitado e, por isso, o País tem chances de obter várias medalhas. "Neste momento, o Oleg (Ostapenko, técnico da seleção brasileira) não ficará comparando nossos ginastas com os outros. O que ele deseja é ver como a equipe se apresentará. Por isso, a ausência como a dos romenos não será sentida", explicou a supervisora técnica da seleção, Eliane Martins, lembrando que os europeus pediram para a etapa no Rio ser realizada após a Olimpíada de Atenas para poderem participar. "Como é a primeira vez que organizamos uma Copa do Mundo, decidimos manter a data. Ter somente 50 atletas competindo (a média é de 150) vai facilitar nosso aprendizado. E, dando tudo certo, no ano que vem todos estarão aqui." Sem a participação das estrelas internacionais, Daiane dos Santos, nas provas de salto e nos exercícios de solo, é dada como certa para a conquista de medalhas em ambas provas. Ouro nas três últimas etapas da Copa do Mundo, a ginasta estréia a nova coreografia, ao som do choro "Brasileirinho", de Valdir Azevedo, e não deve ter concorrente na prova de solo. Já no salto, sua principal oponente é uma das expoentes do esporte, a usbeque Oksana Chusovitina, atual líder do ranking na prova de salto. "Espero que as pessoas não se decepcionem, porque vou fazer o meu melhor", disse Daiane, que terá o apoio dos pais e de uma caravana que vem do Rio Grande do Sul, sua terra-natal. "A nova coreografia vai passar por alguns ajustes mas estou confiante para apresentá-la ao público." Para Daniele, a competição carioca representa a possibilidade de voltar ao pódio, após a fraca exibição na etapa de Lyon. Competindo na trave, paralelas assimétricas e salto, ela reconheceu que ainda está abaixo do nível técnico, de quando conquistou a medalha de prata nos exercícios de solo no Mundial de Ghent, na Bélgica. A surpresa para os brasileiros pode estar no desempenho de Camila Comin. Aos 21 anos, a ginasta vai representar o País pela segunda vez em uma etapa da Copa do Mundo e vai competir nas paralelas assimétricas, trave e solo. As demais atletas da seleção também participarão do evento, apenas se exibindo: Caroline Molinari (paralelas assimétricas, trave e salto), Laís da Silva Souza (salto, trave e solo), Ana Paula Rodrigues (paralelas assimétricas e trave) e Merly de Jesus (salto e solo). No masculino, as esperanças brasileiras recaem sobre Diego Hypolito. Recuperado de uma contusão, que o prejudicou nas últimas etapas, ele vai competir no solo e salto, suas especialidades, além do cavalo com alças. Já o único representante do Brasil nos Jogos Olímpicos de Atenas, Mosiah Rodrigues estará nas barras paralelas, barra fixa e cavalo com alças. "A ginástica masculina está crescendo, mas não dá para fazer milagre. A evolução ocorre gradativamente", afirmou Rodrigues. Além dele e Hypolito, Michel Conceição (barras paralelas, barra fixa e argolas) também representará o Brasil. A exemplo do feminino, Danilo Nogueira (argolas, cavalo com alças e barras paralelas), Victor Rosa (cavalo com alças, barra fixa e solo) e Rogério Pereira (barras paralelas, argolas e cavalo com alças) estarão se apresentando, mas sem participar da briga por medalhas. Nesta sexta-feira os ginastas treinarão pela manhã e à tarde terão início as disputas eliminatórias. Sábado e domingo ocorrem as provas finais dos aparelhos. A arena montada no Riocentro tem capacidade para 4 mil pessoas. E foram postos à venda 2.841 ingressos (o restante são convites) e até o início da noite desta quinta-feira restavam somente 400 entradas para esta sexta. A seleção brasileira de ginática rítmica chegou nesta quinta ao Rio para treinar e participar da cerimônia de abertura do evento.

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