Ritmo da necessidade

O abismo das disparidades fica bem claro quando o que chama a atenção neste clássico é o esforço para fazer dele algo especial. Um Corinthians x Palmeiras não é apenas o resultado da história. Nunca os tão parecidos viveram momentos tão desiguais, modelados pela estabilidade e o estilo de jogo adquirido por um e agora perseguido pelo outro.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2013 | 02h03

Os primeiros movimentos da partida mostraram o Corinthians, com sua habitual identidade tática, contrapondo-se a um Palmeiras ainda sem quilometragem suficiente para alcançá-la. Enquanto os campeões mundiais exibiram organização até na bola parada, como na jogada do gol de Emerson, faltaram passe e inteligência ao meio de campo palmeirense.

Mas esses foram apenas os primeiros 25 minutos, o que viria acontecer depois funcionou como um teste para os limites de cada um. Como o rebaixamento palmeirense ainda é recente e o time atual vai se formando em pleno voo, correr ainda é a melhor solução para quem precisa de todos os ingredientes para formar um grupo vitorioso.

Na outra metade do clássico, o Corinthians parecia seguro demais, sustentado pelo brilho do escudo de campeão mundial colado na camisa. A conquista é uma etapa importante do passado recente, apenas isso, pois precisa ser validada a cada confronto. Diante de tamanha responsabilidade e expectativa da torcida por uma tarde memorável, o time ficou muito tempo esperando as coisas acontecerem naturalmente.

Esse aparente controle sobre o adversário é ilusório. Sem intensidade em todos os lances, dos passes às divididas, o futebol não acontece. O placar já mostrava a virada quando Tite se cansou de ver seus campeões mundiais dominados apenas pela vontade do Palmeiras. Aos 13 minutos do segundo tempo, o treinador partiu para as reformas necessárias.

Pato e Renato Augusto mudaram o ritmo da equipe, mas Romarinho conseguiu explicar em detalhes o significado de intensidade para quem ainda não havia percebido que o passado não joga. Aí voltamos às diferenças entre as equipes, que vão do banco de reservas ao posicionamento do campo.

Tite lembrou que sua turma voltou mais tarde das férias e acabou de completar o primeiro mês de treinamentos. É fundamental não perder de vista, neste início, os vários estágios de preparação entre as equipes. Correto, perfeito e honesto, como sempre.

Mas a prova de que faltou intensidade ao Corinthians é justamente o Palmeiras. Vai ser difícil encontrar um gigante do futebol brasileiro com mais problemas neste início de temporada.

Enquanto os corintianos debatem se Pato, Renato Augusto e Romarinho devem ser titulares, os palmeirenses não têm o menor controle sobre o futuro. E, portanto, correm como se o mundo fosse acabar.

É assim que se recomeça, com vontade, organização tática e a sempre necessária e boa dose de talento, mas sempre atento ao tempo que nem sempre avança no ritmo da necessidade.

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