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Rivais atacam São Paulo para levar a abertura

Belo Horizonte, Brasília e Salvador argumentam que, pelo critério técnico, estão bem à frente da capital paulista

Almir Leite, Bruno Lousada, Sílvio Barsetti e Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2011 | 00h00

A apresentação das 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, ontem, na Marina da Glória, no Rio, foi marcada pela disputa de Belo Horizonte, Brasília e Salvador com São Paulo pela partida de abertura. Os indícios de que o pontapé inicial será no Itaquerão, em 12 de junho, são cada vez mais claros. As concorrentes já acusaram o golpe, mas nem por isso vão deixar de gritar.

"Se a escolha for técnica, Brasília tem de ganhar. Mas se for por arranjo ou postulações políticas..."", insinuou Agnelo Queiroz, único governador presente ontem ao evento da Marina da Glória.

O anúncio do local de abertura vai ser feito pela Fifa em outubro. Mas é muito difícil que São Paulo seja preterido. Nesta semana, o secretário-geral da Fifa, Jérome Valcke, deu pelo menos duas indicações a favor do Itaquerão, ao se dizer satisfeito com o início das obras e a definição sobre as garantias financeiras para Itaquera e admitir esperar pela arena até fevereiro de 2014, se necessário for.

A tecla da "escolha técnica"" foi batida também por Belo Horizonte e Salvador, como se tivessem combinado uma estratégia para combater São Paulo. A alegação comum é que estão honrando todos os prazos acordados com a Fifa e com o Comitê Organizador Local (COL), justamente o que os paulistas não fizeram, atrasando em vários meses a definição sobre o Itaquerão.

Brasília argumenta que 35% das obras do novo Mané Garrincha (para 71 mil pessoas) estão construídas - é considerado o estádio mais adiantado - e a infraestrutura necessária para receber a abertura não preocupa. Belo Horizonte e Salvador também alegam que suas arenas estão no prazo, embora ainda haja muito por fazer em infraestrutura.

"Se fosse só uma decisão técnica, Minas Gerais acolheria com certeza a abertura"", disse o secretário extraordinário da Copa do Mundo no Estado, Sergio Barroso. "É muito estranho o atraso (do anúncio do local da abertura). O Soccer City foi anunciado local de abertura do Mundial da África do Sul em 27 de junho de 2007, e já estava atrasado.""

Ney Campelo, responsável pelo comitê baiano, é ainda mais enfático ao reclamar da visível preferência pelo Itaquerão. "Por critério técnico, é claro que a abertura só pode ser em Salvador, Belo Horizonte ou Brasília. No entanto, percebo uma sinalização a favor de São Paulo.""

São Paulo, porém, também se apoia nos tais critérios técnicos para garantir a abertura. "Nisso, somos imbatíveis. São Paulo é a principal porta de entrada do Brasil, tem a melhor infraestrutura e o problema do estádio foi resolvido"", disse o secretário estadual de Planejamento e coordenador do Comitê Paulista, Emanuel Fernandes.

Ele citou a obra viária que ligará o aeroporto à região de Itaquera e mostrou ao Estado um estudo sobre a capacidade de metrô e trem transportarem até as imediações da arena 55 mil pessoas por hora, 5 mil a mais do que determina a Fifa.

Exposição. As 12 cidades-sede montaram estandes na Marina de Glória, com o objetivo principal de se apresentar à imprensa e representantes de delegações estrangeiras. O clima festivo geral foi maior em Cuiabá, pela liberação pelo BNDES de R$ 57 milhões para a Arena Cuiabá, e em Natal, pois o BNDES aprovou o empréstimo de R$ 300 milhões para a Arena das Dunas.

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