Rivais se unem contra o Boca Juniors

Torcedores dos outros clubes argentinos, sobretudo os do River Plate, engrossam nas ruas o coro pró-Corinthians

Fábio Hecico, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h06

BUENOS AIRES - A torcida do Corinthians é a maior da Argentina. Pelo menos nos próximos 10 dias. Basta falar o nome do clube, ainda no Aeroporto Internacional de Ezeiza, para ver como o time está 'prestigiado' pelos hermanos que não torcem pelo Boca Juniors.

Os fanáticos pelo River Plate comemoraram no sábado o retorno à Série A argentina com o título do acesso e dizem que os festejos se estenderão até dia 4, quando querem "soltar rojões'' pela perda do título do Boca. Os torcedores do Independiente apoiam o Corinthians, para seguirem soberanos nas conquistas da América (7 vezes).

"Boca? O que é Boca? Vai Corinthians'', grita o agente da polícia federal do aeroporto ao saber que ali desembarcavam jornalistas do Brasil. Depois, claro, não escondeu que seu coração é vermelho - do River Plate.

Nas ruas, o famoso "Aqui tem um bando de loucos'' já virou um dos hits preferidos, com sotaque portenho e ritmo desafinado. O discurso é um só. "O Boca é rival, sempre será e queremos que afunde, que perca'', diz Mario Rodriguez. "Eu torço pelo San Lorenzo e contra o Boca, assim como quem gosta do River, do Estudiantes, do Independiente, do Lanús, do Quilmes...''

"Sou torcedor do Colón de Santa Fé e espero que dê um argentino, mas é difícil, o Corinthians é favorito'', afirma o garçom Roberto, um dos poucos rivais a não ter 'ódio' do Boca. "Mas vai dar Corinthians, que eliminou o time de Neymar'', ressalta, fazendo referência ao craque brasileiro e sem citar o Santos.

Os boquenses não manifestam ira pelo Corinthians. Tudo pelo fato de um de seus ídolos, Carlitos Tevez, ter sido bem recebido quando jogou pelo clube. Para eles, recebeu bem um atleta xeneize virou "amigo.''

A prova é que artigos do Timão, também espalhados pela cidade - bem diferente de seis anos atrás, quando o clube enfrentou o River Plate -, são vendidos nas proximidades da Bombonera sem problemas.

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