Rival de Nadia Comaneci vai ajudar na formação de talentos

Nellie Kim, dona de seis medalhas olímpicas, será consultora do Movimento LiveWright, criado pelo empresariado nacional

AMANDA ROMANELLI, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 03h06

Um ano depois de repatriar o técnico ucraniano Oleg Ostapenko e sua mulher, Nadia, a ginástica artística feminina do Brasil ganhou mais um reforço: a ex-ginasta bielorrussa Nellie Kim, dona de seis medalhas olímpicas (cinco de ouro) e principal rival de Nadia Comaneci no final da década de 1970.

Nellie, hoje com 55 anos, técnica e árbitra, preside o Comitê Técnico da Federação Internacional de Ginástica e foi contratada pelo Movimento LiveWright, um grupo formado por empresários brasileiros que, desde 2011, tem usado a Lei de Incentivo ao Esporte para investir na detecção e formação de talentos de modalidades olímpicas.

A bielorrussa será consultora do projeto, que é baseado no Paraná. A intenção é que Nellie troque experiências e supervisione as atividades de Oleg e dos outros técnicos que trabalham no centro de treinamento de Curitiba, antiga sede da seleção permanente de ginástica feminina, e nas escolas de talentos que já foram criadas no interior do Estado, em parceria com prefeituras. Até agora, foram inaugurados oito, cada um com 200 meninas entre 5 e 8 anos.

"Eu conheço o Oleg, a Nadia e também a Irina (Iliashenko, técnica da seleção feminina) há muitos anos. Somos da família da ginástica e trabalhamos juntos na União Soviética", explicou Nellie, que, por seu trabalho na Federação Internacional, mostrou-se bastante familiarizada com a ginástica nacional. "Quando eu competia, nos anos 1970 e 1980, o Brasil não tinha resultados. Agora, nomes como Daiane dos Santos, Daniele Hypolito e Jade Barbosa são conhecidos no mundo inteiro."

Nellie evitou fazer críticas ao atual momento da ginástica feminina, que não levou Jade para Londres e, nos Jogos, teve uma equipe envelhecida, sem conquistar uma vaga sequer à disputa de finais. "De maneira geral, o Brasil teve resultados muito bons nos últimos anos. Mas depois que o Oleg saiu, ficou um buraco (na formação de talentos) e vocês levaram ginastas mais maduras (para Londres). Agora, há um bom grupo de trabalho e crianças talentosas."

Vale ressaltar que o trabalho do LiveWright é feito de maneira independente à Confederação Brasileira. O projeto trabalha em parceria com a Federação Paranaense, conduzida por Vicélia Florenzano e Eliane Martins, que eram presidente e diretora técnica da antiga direção da CBGin.

Promessas. O centro de treinamento de Curitiba, que serviu à seleção brasileira até 2008, virou um clube, o Cegin. Na Olimpíada de Londres, três de suas ginastas - Bruna Leal, Ethiene Franco e Harumy de Freitas - representaram o Brasil. Agora, o clube trabalha com 12 garotas com idade para participar dos Jogos de 2016.

Oleg Ostapenko, exímio detector de talentos, já elegeu suas três atletas favoritas do momento: Carolyne Pedro e Tamires Veiga, de 12 anos, e Mariana Valentin, que tem 13. As ginastas vão participar do Campeonato Sul-Americano em Cochabamba, na Bolívia, entre os dias 3 e 8 de outubro. "São três meninas que eu gosto muito", disse Oleg, que não quis destacar nenhum aparelho específico de cada ginasta. "Eu sempre trabalho para que elas sejam boas em todos. Depois, vamos ver."

Dentro do planejamento do LiveWright, o Paraná terá até 2014 mais 32 escolas de talentos, de onde serão reveladas ginastas com potencial para os Jogos Olímpicos de 2020 e 2024.

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